O controle global do HIV enfrenta retrocessos após décadas de avanços, segundo a ONU. O alerta chega em meio à escassez de financiamento para novas pesquisas e infraestrutura, que aumenta o número de pessoas com diagnóstico positivo.
Um estudo divulgado na quinta-feira, 11 de junho, no relatório United to End AIDS envolve 79 organizações de 47 países. O material aponta progresso desigual e maior vulnerabilidade para comunidades com menos recursos, diante de cortes orçamentários.
A pesquisa mostra queda na adesão a medidas preventivas, como a PrEP, diminuindo 38% entre 2024 e 2025 em 62 países. Investimentos em testagem em locais de alta incidência e na distribuição de preservativos também recuaram significativamente.
Essa redução de verbas coincide com avanços limitados na proteção de populações marginalizadas e com a prática de criminalização aumentada. Winnie Byanyima, da UNAIDS, descreveu a situação como a maior tempestade para a resposta ao HIV já vista.
Impactos por região e população
A África Subsaariana registra sinais críticos, com três mil jovens mulheres contraindo o vírus semanalmente. Profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens continuam entre os grupos com maior risco e menor acesso a serviços.
Os cortes orçamentários também prejudicam direitos humanos ligados à saúde. Em alguns lugares, observa-se criminalização reforçada, o que dificulta a disseminação de informações sobre prevenção e tratamento.
Entre os dados alarmantes, 40,9 milhões de pessoas vivem com HIV, e cerca de nove milhões não estão em tratamento. A falta de assistência efetiva agrava a transmissão e dificulta o acesso a terapias.
Rumos e metas para 2030
Especialistas defendem novas deliberações políticas para sustentar a resposta global. Se a Estratéquia Global de Combate à AIDS for acompanhada por declarações políticas robustas, ainda é possível alcançar as metas para 2030.
As metas incluem alcançar 40 milhões de pessoas com tratamento antirretroviral até 2030, ampliar o acesso a medicamentos de prevenção para 20 milhões e assegurar serviços livres de estigma e discriminação.
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