O metano pode atuar como um freio de emergência para desacelerar a crise climática, mesmo diante do risco de um possível super El Niño. Especialistas afirmam que reduzir as emissões desse gás é uma medida rápida para mitigar o aquecimento global, principalmente em faixas de tempo de 10 a 20 anos.
O gás representa cerca de um terço do aquecimento atual e tem vida útil na atmosfera de aproximadamente 12 anos, o que permite impactos mais rápidos quando reduzido. A atuação coordenada entre descarbonização, transição energética e mitigação do metano é vista como essencial pelos especialistas.
Durante a Semana do Clima do Rio, no início de junho, o Fórum Freio de Emergência Climática discutiu esse tema como eixo central. A proposta envolve ações rápidas em setores com maior parcela de emissões, especialmente resíduos urbanos, agropecuária e energia.
No Brasil, a agropecuária responde por mais de 70% das emissões de metano, enquanto resíduos urbanos respondem por cerca de 20% e o setor energético por aproximadamente 4%. Pesquisadores defendem que reduzir o metano não compromete produtividade, apenas exige melhorias em manejo e nutrição animal.
Entre as medidas destacadas estão redução do desperdício de alimentos, ampliação da compostagem, coleta seletiva de resíduos orgânicos e a produção de biogás e biometano. A economia circular também pode gerar empregos e reduzir desigualdades, segundo especialistas.
Apesar do foco no metano, o setor de energia é visto como campo prioritário para reduzir vazamentos, queima e ventilações. Reguladores brasileiros discutem mecanismos para reduzir emissões na cadeia de petróleo e gás, apoiando ações rápidas e eficazes.
Mesmo com ações urgentes, cientistas alertam que impactos climáticos já estão em curso. Um El Niño intenso é previsto por climatologistas, elevando o risco de secas, eventos extremos e impactos na agricultura. A redução de metano é apresentada como ferramenta para atenuar parte desses riscos.
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