O que mudou na caça às espécies raras? A redescoberta do morcego de folha arredondada de cauda curta, que se acreditava extinto, ocorreu no santuário de Afi, na Floresta Tropical de Cross River, no sudeste da Nigéria. A pesquisadora Iroro Tanshi, bióloga nigeriana, identificou pela primeira vez o animal em 2016 durante um estudo de doutorado.
O morcego, de tamanho diminuto, pesa aproximadamente o equivalente a uma colher de chá de sal. Possui olhos pequenos e nariz complexo, adaptado para a ecolocalização em plena escuridão. O animal é extremamente sensível a ruídos e à luz forte, o que levou Tanshi a trabalhar com iluminação vermelha durante o campo.
A descoberta reacendeu esperanças de que haja uma colônia viva. Em expedições com armadilhas de harpagem e redes de névoa, a equipe local localizou 15 exemplares adicionais e confirmou a presença da espécie na região da reserva. A população confirmada permanece a única parcela conhecida ativa.
Escassez de dados e métodos de caça contribuíram para o receio de extinção ao longo das décadas, com registros anteriores apenas em cavernas de Camarões e Guiné Equatorial. A proteção do habitat de Afi tornou-se prioridade após a redescoberta, segundo pesquisadores.
Conservação e reconhecimento
Além do trabalho de campo, Tanshi fundou a Smacon, voltada para morcegos, roedores e fauna pequena, para promover conservação. Em 2017, foi lançada a Zero Wildfire Campaign para combater queimadas que ameaçam o morcego e o ecossistema.
A atuação de Tanshi ganhou reconhecimento internacional. Em abril, recebeu o Goldman Environmental Prize, tornandose uma das poucas mulheres premiadas globalmente. Também foi nomeada exploradora da National Geographic e recebeu o prêmio Whitley.
Apesar da visibilidade da espécie, a pesquisadora destaca a necessidade de envolver comunidades locais. Em áreas próximas a Afi, parte da população ainda consome morcegos como alimento, reforçando a urgência de educação ambiental e fiscalização.
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