Pesquisadores descobriram uma nova técnica para identificar estrelas que engoliram planetas. O estudo, conduzido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores da USP, foi publicado nesta terça-feira, 16. A pesquisa utilizou o UVES, espectrógrafo instalado no Very Large Telescope do ESO, no Chile, para observar um sistema de duas estrelas muito similares entre si. O objetivo foi verificar sinais de ingestão de planetas.
O método se baseia na medição do elemento berílio, que não é produzido no interior das estrelas. Ao comparar as duas estrelas do sistema solar semelhante, os cientistas esperavam uma composição química parecida, mas encontraram diferenças relevantes. A discrepância é atribuída à ingestão de material externo, possivelmente restos de planetas.
A escolha do sistema observacional privilegiou estrelas do tipo solar, com características parecidas com o Sol, para reduzir variações químicas naturais entre astros. Os dados indicaram que apenas uma das estrelas tinha berílio significativo, o que serviu como marcador da ingestão de planetas.
Teoria e técnica
A comunidade já considerava que estrelas podem incorporar planetas, mas não havia comprovação direta. As análises mostraram que a estrela com berílio apresenta abundância suficiente para representar a ingestão de um corpo com massa aproximada de 11 Terras, enquanto a outra não apresenta esse marcador.
Essa diferença entre as duas estrelas sugere que a ingestão de planetas pode deixar traços químicos mensuráveis em sistemas binários de origem comum. O estudo reforça a utilidade do berílio como indicativo de ingestão de material planetário.
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