Descentes de famílias removidas durante a criação do Maiko National Park, no leste da República Democrática do Congo, lideram hoje uma onda de conservação apoiada pela comunidade. O grupo atua em planos de manejo de florestas que envolvem moradores locais e visam compatibilizar proteção da biodiversidade e necessidades humanas.
Mangusa Jr., líder da CFCL Bamasobha Local Community Forest Concession, com cerca de 29 mil hectares, supervisiona patrulhas para coibir caça, desmatamento e mineração ilegais. A equipe também busca fortalecer a convivência entre comunidades e a floresta, promovendo uso sustentável dos recursos naturais.
Contexto histórico e mudança de modelo
Mangusa Jr. integra-se a uma narrativa de conflitos entre a comunidade e o Instituto Congolês de Conservação da Natureza (ICCN) após a criação do parque. Relatos apontam campamentos de guardas que restringiam entrada na floresta e uso de carne, gerando deslocamentos ao longo dos anos.
A CFCL Bamasobha surge com apoio da PREPPYG (Associação de Camponeses para a Reabilitação e Proteção de Pigmeus) e define um plano de manejo estabelecido em 2023. O objetivo é equilibrar proteção da biodiversidade com as necessidades humanas, utilizando zonas distintas de produção e conservação.
Resultados e expansão da iniciativa
Dados de Global Forest Watch indicam redução da perda de floresta na área, de 940 hectares em 2024 para 120 hectares em 2025. O modelo de concessões florestais comunitárias ganha força no leste do país, entre o Parque Nacional Kahuzi-Biega e a Reserva Itombwe.
A ONG Strong Roots Congo trabalha na criação de um corredor de biodiversidade de cerca de 1 milhão de hectares, conectando várias CFCLs da região. Especialista Olivier Ndoole Bahemuke afirma que as CFCLs podem servir de referência para comunidades indígenas desprovidas de recursos florestais após áreas protegidas.
Desafios permanecem
Insegurança na região, incluindo atuações de grupos armados, força deslocamentos adicionais e entradas não autorizadas na zona de conservação para atividades ilegais. Ainda assim, analistas destacam a relevância de CFCLs como extensão das práticas de proteção da vida silvestre herdadas.
Bahemuke ressalta que, quando as comunidades adotam esse modelo, observa-se uma continuidade de práticas de proteção ambiental que remontam aos antepassados.
Entre na conversa da comunidade