Poucos medicamentos geraram tanto entusiasmo quanto Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Inicialmente voltados ao diabetes tipo 2, eles ganharam espaço no tratamento da obesidade e do metabolismo. Agora, pesquisadores exploram se também podem proteger o cérebro.
Um estudo brasileiro utilizou registros de saúde de mundo real para comparar adultos com diabetes tipo 2 que iniciaram tratamento com semaglutida ou tirzepatida. O grupo abria 44 mil pacientes em cada braço, com pareamento por características clínicas.
Os resultados mostraram menor incidência de comprometimento cognitivo leve entre quem iniciou tirzepatida. Já para demência e doença de Alzheimer, as evidências não foram consistentes o suficiente para conclusões definitivas.
Janela de oportunidade
O estudo ressalta que efeitos na cognição podem aparecer mais cedo, antes de alterações neurodegenerativas estabelecidas. Pesquisas futuras devem investigar se os benefícios ocorrem ao intervir precocemente na saúde metabólica, e se individualizações entre tirzepatida e semaglutida são necessárias.
Os autores destacam que o estudo é observacional, não provando causalidade. Não há recomendação de uso para proteção cerebral com esses fármacos. Ensaios adicionais são necessários para confirmar possíveis impactos clínicos.
Essa linha de investigação questiona se focar na saúde vascular, inflamação e resistência à insulina na fase inicial pode influenciar trajetórias cognitivas, diferente da intervenção apenas após o surgimento da demência.
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