O uso de fármacos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, ganha nova perspectiva na ciência ao ser associado, em estudo recente, a mudanças em padrões de impulsividade e a comportamentos agressivos. A pesquisa analisa potencial efeito neurológico além do controle metabólico.
Conduzido pela Universidade Rutgers e publicado na revista Criminology em 17 de junho de 2026, o estudo teve liderança de Daniel C. Semenza, com colaboração de Christopher Thomas. A análise utilizou dados de uma pesquisa com mais de 7.500 adultos norte-americanos, incluindo usuários atuais e ex-usuários de GLP-1.
Potenciais impactos no comportamento
Os pesquisadores investigaram a relação entre impulsividade, consumo de álcool e comportamento violento. Observou-se que impulsividade e álcool seguem ligados a agressões, mas a associação é menos intensa entre usuários atuais de GLP-1.
Entre os resultados mais relevantes, houve queda expressiva na ligação entre impulsividade e violência, aproximadamente 62% menor entre usuários atuais em comparação aos ex-usuários. A relação álcool e violência mostrou redução de cerca de 52%, com variações entre as análises.
Limitações e cautelas
Os autores ressaltam que se trata de estudo observacional e transversal, sem comprovação de causalidade entre o uso de GLP-1 e a redução de comportamentos violentos. Portanto, não há evidência de efeito antiagressivo direto, apenas associação.
Ainda assim, a pesquisa sugere que esses medicamentos podem modular circuitos cerebrais ligados ao controle de impulsos, atuando como freio na transição entre emoção e ação. Outros fatores comportamentais podem influenciar os resultados.
Caminhos futuros da neuropsicologia
Os pesquisadores defendem estudos longitudinais e experimentais para verificar se os GLP-1 realmente impactam comportamentos sociais complexos, como agressividade e impulsividade. Caso confirmados, os achados poderiam ampliar o entendimento sobre o papel desses fármacos na neuropsicologia.
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