Mohammed Abu Daya, ecologista marinho de Gaza, continua estudando Mobula mobular, também conhecidas como giant devil rays, mesmo em meio ao conflito que desde 2023 afeta a região. Em entrevistas concedidas a Mongabay em 2026, ele descreve Gaza como “uma grande prisão” com infraestrutura destruída e população vivendo entre escombros. A pesquisa permanece, majoritariamente, remota ou em locais de abrigo.
Antes da guerra, Abu Daya lecionava em universidades na Faixa de Gaza e atuava no Centro Nacional de Pesquisa de Gaza. Sua área de atuação inclui movimentos migratórios dessas raias, cuja distribuição histórica no Mediterrâneo passou a ser entendida como conectada ao Atlântico, Caribe e Indo-Pacífico. Pesquisas dele ajudam a mapear territórios que vão de Gaza até a Espanha, passand o pela Levante.
Ao longo de três anos, o pesquisador perdeu casa, escritório e acesso ao mar, mas manteve o interesse pelas raias. Ele continua analisando dados de anos anteriores, participa de conferências internacionais remotamente e coautoriza publicações, como o estudo de 2025 sobre rotas migratórias no Mediterrâneo.
Contexto científico e impacto regional
Em 2025, Abu Daya contribuiu para um artigo sobre a ecologia espacial da Mobula mobular, com dados de nove indivíduos entre 2016 e 2021. Um animal marcado próximo a Gaza realizou uma jornada incomum para a Espanha, retornando ao Levante um ano depois. O estudo reforça a importância de medidas de conservação e de regulação pesqueira na região.
Historicamente, a Mobula mobular foi classificada como ameaçada pela IUCN desde 2018, e em 2025 a situação ganhou o rótulo de criticamente ameaçada. No Mediterrâneo, a espécie é protegida pela Convenção de Barcelona desde 1996. Pesquisas de Abu Daya, realizadas com apoio de fundações internacionais, destacam que grandes operações de pesca na região limitam a recuperação populacional.
Desafios atuais e cooperação internacional
A situação em Gaza piorou com o conflito, levando à destruição de barcos, portos e infraestruturas de pesca. Mesmo assim, o pesquisador mantém atividades de campo quando possível e coordena contribuições remotas para a comunidade científica. Ele já participou de apresentações em conferências internacionais em 2024 e 2026, conectando Gaza a redes globais de conservação marinha.
Hoje, Abu Daya trabalha em colaboração com especialistas internacionais para um novo manuscrito sobre a relação entre tamanho corporal e peso em mantas e raias, visando oferecer dados para monitoramento, conservação e gestão pesqueira. A pesquisa enfatiza a importância da cooperação científica como ponte entre comunidades em conflito e a preservação da biodiversidade marinha.
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