Ao menos 14 ações na Justiça Federal cobrem autorização para importar versões paraguaias de tirzepatida, proibida pela Anvisa no Brasil. Em cinco casos, juízes concederam liminares para entrada do medicamento, sob o argumento de uso pessoal. Ceará, Alagoas e Rio Grande do Sul são os estados envolvidos.
A Anvisa mantém a contestação às decisões e busca reverter essa autorização judicial. A agência afirma que as versões paraguaias não passaram por avaliação de segurança e eficácia no Brasil, requisito para qualquer medicamento que circula no país.
Em jogo: preço, uso pessoal e riscos
Pacientes citam o custo do tratamento. A dose baixa de tirzepatida permitida no Brasil, via caneta Mounjaro, sai por cerca de R$ 1,4 mil mensais; no Paraguai, a dose alta fica em torno de R$ 460, cerca de um terço do valor.
Segundo a Receita Federal, o volume de apreensões de canetas emagrecedoras cresceu em 2026, com 414 mil unidades entre janeiro e maio, principalmente no Paraná, fronteira com o Paraguai. As autoridades destacam risco sanitário.
Ponto de vista das entidades médicas
A Anvisa aponta que nenhum dos produtos paraguaios passou pela avaliação regulatória brasileira. A SBEM afirma que é essencial respeitar as decisões sanitárias e reforça a importância de registros oficiais para segurança de pacientes.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que medicamentos sem registro trazem incerteza sobre qualidade, pureza e conservação. A Abeso ressalta a necessidade de tratamentos já aprovados e avaliados pela Anvisa.
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