A crise climática já afeta a biodiversidade de forma mais rápida e ampla do que se previa. Um estudo publicado na Nature Climate Change analisou mais de 5 mil espécies em quase 40 mil locais, revelando perdas locais expressivas em regiões temperadas.
Os pesquisadores identificaram que 49% das espécies de zonas temperadas sofreram extinções locais nas áreas mais quentes de sua distribuição, frente a 33% nas regiões tropicais. Extinção local não elimina a espécie globalmente, mas reduz a variedade de ecossistemas.
A pesquisa, que agregou plantas, mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis e insetos, representa a maior análise até hoje sobre extinções locais associadas às mudanças climáticas. Os autores destacam a necessidade de ampliar esforços de conservação.
Aceleração do aquecimento e desequilíbrio
A principal explicação é a velocidade do aquecimento. Em 25 anos, a temperatura nas zonas tropicais subiu cerca de 1,8°C, enquanto nas temperadas houve aumento de aproximadamente 3,3°C, quase o dobro.
O ritmo acelerado parece ter invertido padrões observados anteriormente. O estudo aponta que o aquecimento mais rápido nas latitudes altas prejudica a capacidade de deslocamento de espécies para áreas mais frias.
Mais de 70% das espécies estudadas permaneceram em seus territórios mesmo com o aquecimento. Barreiras como estradas e cidades fragmentam habitats, dificultando migração entre áreas climáticas.
Mesmo com altitudes elevadas, muitas espécies de regiões montanhosas esbarram na falta de espaço para continuar o deslocamento. Obstáculos estruturais tornam inviável a migração em grande parte dos casos.
Diferenças entre tropicais e temperadas
Em áreas tropicais, as extinções locais concentram-se em zonas quentes de cada espécie. Já nas temperadas, os registros aparecem em vários pontos da distribuição, sugerindo impactos mais dispersos.
Entre as espécies avaliadas, 45% desapareceram localmente nas áreas quentes onde antes ocorriam com maior frequência. Em insetos, vertebrados terrestres e espécies marinhas, esse índice superou metade.
Conservação e monitoramento permanecem essenciais, pois os resultados não envolvem previsões futuras, mas mudanças já verificados. A biodiversidade já está se reorganizando diante da crise climática.
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