O estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford aponta que onze cidades brasileiras estão entre as mais vulneráveis ao calor extremo no planeta. A análise avaliou 205 cidades com mais de um milhão de habitantes e ressalta que fatores sociais e urbanos influenciam o risco à população tanto quanto a temperatura.
A pesquisa, publicada na revista Sustainable Cities and Society, combina dados climáticos com indicadores de renda, moradia, acesso à eletricidade, áreas verdes, saúde e demografia. O objetivo é entender como vulnerabilidade deriva de condições urbanas além do aquecimento. Malik Aqeel foi o principal autor.
Manaus lidera o ranking brasileiro, ocupando a 27ª posição mundial entre as cidades avaliadas. Goiânia, Belo Horizonte, Fortaleza e São Paulo aparecem logo adiante no ranking nacional, seguidas de Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre, nesta ordem.
No cenário regional latino-americano, Manaus figura entre as cidades mais vulneráveis, ficando atrás apenas de Barranquilla e Porto Príncipe. Os autores destacam que o calor extremo não é o único determinante do risco; a situação social é decisiva para ampliar ou reduzir os impactos.
O estudo considera variáveis como renda da população, acesso à energia, qualidade das moradias, disponibilidade de áreas verdes, capacidade dos serviços de saúde e proporção de idosos e crianças. Esses fatores elevam a vulnerabilidade frente a ondas de calor.
Manaus, cercada pela maior floresta tropical, sofre com o fenômeno ilha de calor urbana, onde áreas impermeabilizadas registram temperaturas maiores. Em alguns bairros, a diferença para áreas vegetadas pode chegar a 3°C em dias quentes.
Entre 1970 e 2019, Manaus registrou 225 ondas de calor, com quase 90% concentradas nas duas últimas décadas. Pesquisas associam o aumento da frequência de episódios de calor extremo ao avanço da urbanização e à redução de cobertura vegetal.
O estudo reforça mensagens de organismos internacionais sobre riscos à saúde associados ao calor, que afetam principalmente idosos, crianças e trabalhadores expostos ao ar livre. Eventos climáticos intensos elevam mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias.
Segundo os autores, desigualdades históricas agravam a exposição. Bairros periféricos, com menor arborização e moradias inadequadas, concentram impactos maiores, enquanto o acesso a refrigeradores e ar‑condicionado é precário ou caro.
A pesquisa recomenda políticas públicas que vão além de ações de emergência. Entre as medidas estão ampliar a arborização, criar sistemas de alerta precoce, fortalecer redes elétricas e adotar padrões de construção que reduzem aquecimento passivo.
Os autores ressaltam que soluções idealizadas em países ricos nem sempre cabem em economias emergentes. É preciso adaptar estratégias à realidade de renda, urbanização e infraestrutura locais, diante do aumento esperado de frequência e intensidade das ondas de calor.
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