O estudo publicado na Frontiers in Microbiology aponta que o glifosato, herbicida amplamente utilizado, pode favorecer a sobrevivência de bactérias resistentes. Pesquisadores analisaram 102 cepas de três ambientes distintos: delta do Paraná, áreas agrícolas e hospitais com infecções multirresistentes.
As investigações envolveram a exposição das cepas a 16 antibióticos diferentes e a variações de glifosato. Resultados mostram que cepas hospitalares resistem a múltiplos antibióticos e, em 74% dos casos, resistem também a carbapenêmicos, além de tolerarem altas concentrações do herbicida.
Conexões entre ambientes
No solo e em reservas naturais, bactérias ambientais também apresentaram resistência ao glifosato. Gêneros como Acinetobacter, Pseudomonas e Enterobacter foram destacados pela adaptação, mesmo fora de áreas com aplicação direta do herbicida.
Difusão genética e vias de transmissão
A análise genética revelou semelhanças entre bactérias resistentes ao glifosato, independentemente da origem. Genes de resistência parecem circular entre ambientes agrícolas, naturais e hospitalares. O estudo aponta o ciclo da água como vetor de disseminação entre ecossistemas distintos.
Implicações para a saúde pública
As evidências sugerem que pesticidas podem contribuir para a resistência antimicrobiana de forma indireta. Preocupa principalmente a co-seleção de resistência a antibióticos e a disseminação de genes resistentes no ambiente, conectando agricultura e ambiente clínico.
Perspectivas e próximos passos
Especialistas defendem mais pesquisas para confirmar os mecanismos de ligação entre herbicidas e resistência bacteriana. A mensagem é de cautela: o manejo de substâncias agrícolas pode influenciar o panorama das infecções hospitalares, segundo o estudo.
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