O Rio Tietê foi alvo de uma expedição entre Salesópolis e Itapura, em 2025, para medir a poluição em 14 pontos ao longo do canal principal. A análise revelou contaminação generalizada, com presença de microplásticos, agrotóxicos, fármacos e substâncias associadas a cocaína.
A investigação foi conduzida pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades públicas, incluindo Unifesp, UFABC, CENA/USP e USCS. A equipe percorreu toda a bacia, da nascente à foz, para mapear usos do solo e impactos na qualidade da água.
A Secretaria de Meio Ambiente do Estado informou que a carga poluidora no Rio Tietê recuou 21% nos últimos dois anos, após ações de saneamento, drenagem e outras medidas. A bacia, no entanto, permanece complexa pela atividade industrial, agrícola e urbana.
Entre os principais achados, constam a ausência de trechos livres de contaminação e a presença de microplásticos em todos os pontos, com maior concentração de fibras. Os pesquisadores classificaram o nível de poluição como moderado a alto, em regiões urbanas.
Os pesquisadores identificaram 25 agrotóxicos ao longo do rio, com picos entre Pirapora do Bom Jesus e Barra Bonita. Entre eles, destaca-se a atrazina, encontrada acima dos limites legais em trechos específicos.
A presença de fármacos e drogas ilícitas também foi detectada, com cafeína em todos os pontos e resíduos de cocaína em vários trechos. Valores elevados de alguns compostos sugerem lançamento de esgoto ou uso de medicamentos pela população.
A cocaína é metabolizada no organismo e gera a substância benzoilecgonina, também encontrada ao longo do Tietê, o que indica contaminação associada ao consumo humano e ao descarte de resíduos.
Os microplásticos foram encontrados em concentrações que variaram de 330 a 23.587 partículas por metro cúbico, mostrando mobilidade alta e risco potencial para a cadeia alimentar local.
A região mais afetada pela poluição média e as pressões urbanas incluiu localidades como Osasco, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Pirapora do Bom Jesus. O esgoto não tratado aparece entre as principais fontes de contaminação.
Os resultados indicam que os poluentes invisíveis são absorvidos por microplásticos e que a eutrofização facilita a proliferação de microrganismos. O estudo ressalta que reservatórios prolongam a permanência desses contaminantes.
A análise integrada aponta que a poluição resulta de urbanização intensa, lançamentos de esgoto, atividades agropecuárias e a presença de barragens. Mesmo onde houve melhora do oxigênio dissolvido, os contaminantes persistem.
Os pesquisadores defendem ampliar políticas de saneamento, controle da poluição e monitoramento contínuo da bacia. Também destacam a necessidade de incluir esses poluentes na legislação ambiental estadual.
O Programa IntegraTietê, lançado pela Secretaria, reúne ações de saneamento, recursos hídricos, drenagem, limpeza de lixo e governança. Segundo o governo, a carga de poluição transportada pelo Tietê caiu de 219 para 173 toneladas por dia nos últimos dois anos.
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