Aves são dispersoras exclusivas de sementes da baunilha neotropical Vanilla lindmaniana. O estudo, conduzido pelo laboratório do professor Emerson Pansarin na FFCLRP/USP, revela que a espécie depende unicamente de aves para disseminação de sementes. A pesquisa foi publicada na revista Plant Biology.
A Vanilla lindmaniana é uma orquídea epífita que cresce sobre palmeiras em áreas alagadas do Pantanal, Cerrado e Amazônia. Os frutos são coloridos, sem odor e ricos em açúcares, elementos que atraem apenas aves para o consumo e dispersão.
O mecanismo envolve funículos com cristais de oxalato de cálcio, tóxicos para mamíferos. Assim, a planta evita dispersores terrestres, mantendo a dispersão apenas por aves que não sofrem o efeito tóxico.
No Pantanal de Aquidauana, MS, câmeras registraram oito espécies de aves visitando frutos maduros. Fezes coletadas na área continham sementes de V. lindmaniana, evidenciando a eficácia da dispersão pelo voo.
No Orquidário da USP, estacas de baunilhas foram cultivadas em palmeiras pantaneiras. Em cerca de dois anos, plantas floriram e frutificaram, confirmando a viabilidade das sementes após a passagem pelo sistema digestivo das aves.
Pansarin ressalta que os frutos não se desprendem da planta, reforçando a necessidade de aves como dispersoras exclusivas. A atração visual, aliada à mucilagem nutritiva, favorece a ligação com aves frugívoras ao longo da viagem de dispersão.
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