Um estudo publicado na BMJ Open Ophthalmology associou o uso contínuo de metformina, remédio antigo para diabetes, à desaceleração da degeneração macular relacionada à idade DMRI. A pesquisa acompanhou 2 mil pessoas com diabetes tipo 2 por cinco anos.
A análise aponta que quem utilizou o fármaco teve queda de 37% no avanço da DMRI em estágio intermediário, mesmo ajustando por idade, sexo, retinopatia, controle glicêmico e tempo de doença. Observação: trata-se de associação, não de causalidade.
A DMRI é a principal causa de perda de visão em idosos e afeta a mácula, área da visão central. Existem duas formas: seca, mais comum, e úmida, mais agressiva. Fatores como idade, genética, tabagismo e diabetes influenciam o risco.
Do ponto de vista biológico, a metformina atua além do controle glicêmico, reduzindo estresse oxidativo e inflamação celular. A via AMPK, ligada à regulação energética, pode proteger fotorreceptores e o epitélio pigmentar da retina.
Especialistas ressaltam que o estudo é observacional. Não estabelece causa e efeito; apenas aponta associação entre metformina e menor progressão da DMRI em pacientes com diabetes tipo 2.
Pesquisas adicionais são necessárias para confirmar o efeito em humanos e entender se se aplica a outras populações. Um ensaio clínico prospectivo seria o passo seguinte para testar benefício real.
Enquanto isso, a indústria busca aplicações locais da metformina nos olhos. A Curative Biotech, dos EUA, desenvolve versões de uso intr ocular, visando ativar AMPK e reduzir VEGF na retina.
O objetivo é entregar o fármaco diretamente ao epitélio pigmentar, potencialmente retardando a DMRI seca em fases intermediárias e avançadas. Estudos iniciais em humanos estão previstos ainda este ano.
Tratamentos atuais para DMRI incluem suplementos antioxidantes e ômega-3 para a forma seca, e injeções antiangiogênicas para a forma úmida, que ajudam a estabilizar ou melhorar a visão.
A Medicina Oftalmológica aponta que mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de progressão. Dieta equilibrada, controle de peso, pressão arterial, colesterol e abandono do tabagismo são medidas-chave.
Por fim, a conduta segura continua sendo o acompanhamento com oftalmologista e a gestão de fatores de risco. A decisão sobre qualquer uso de metformina deve ocorrer apenas sob orientação médica.
Este conteúdo é baseado em informações da Agência Einstein e da revista BMJ Open Ophthalmology.
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