Vinculado aos fósseis descobertos em Liang Bua, na ilha de Flores, o estudo aponta que Homo floresiensis, conhecido como hobbits por sua estatura, pode ter sobrevivido como necrófago. A hipótese desvia da ideia de que o grupo caçava grandes presas ou usava fogo para cozinhar.
A pesquisa analisa ossos de Stegodon florensis insularis — parente ancestral dos elefantes — encontrados junto aos fósseis do hobbit. As evidências indicam que a alimentação pode ter ocorrido a partir de carcaças, sem necessidade de fogo.
Período de estudo e localidade
Entre cerca de 190 mil e 50 mil anos atrás, o Homo floresiensis habitava uma ilha isolada. A investigação redefine o papel do grupo na ecologia local, questionando a visão de caçadores habilidosos.
Como a pesquisa foi conduzida
A equipe utilizou análise multifacetada dos ossos de estegodonte e fez um experimento com um dragão de Komodo em Atlanta, para entender marcas de mordida e cortes. O objetivo foi comparar evidências com as marcas feitas por ferramentas de pedra.
Resultados sobre marcas nos ossos
Marcas de dentes de Komodo apareceram em áreas carnudas do estegodonte, enquanto marcas de ferramentas de pedra foram encontradas em partes menos nutritivas. Isso sugere uso de restos crus em vez de caça ativa pelo hobbit.
Ausência de evidência de uso do fogo
Foram examinados cerca de 4.500 ossos de roedores e de estegodonte; nenhum mostrou carbonização. Pesquisadores sugerem que Ian sapiens possa ter usado a caverna apenas mais tarde, há cerca de 46 mil anos.
Implicações evolutivas
O estudo indica que o Homo floresiensis pode não pertencer ao gênero Homo de forma direta, podendo ter divergido de linhas mais primitivas. A reclassificação ainda envolve debate entre especialistas.
Quem participou e onde foi divulgado
Elizabeth Grace Veatch, paleoantropóloga da Smithsonian, liderou a análise. Briana Pobiner, também da Smithsonian, colaborou, com a publicação na Science Advances. Thomas Sutikna coordena as escavações em Liang Bua.
Conclusões provisórias e próximos passos
Os autores destacam a necessidade de novas evidências sobre o papel ecológico do hobbit na ilha, incluindo possíveis predadores adicionais. A pesquisa continua para esclarecer vínculos com outras espécies humanas antigas.
Resumo final
Os achados reformulam a percepção de Homo floresiensis, sugerindo uma dieta baseada em restos cru e uma evolução que pode ter seguido um caminho diferente do observado em Homo sapiens e Homo erectus.
Entre na conversa da comunidade