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Tim Cook deixa Apple quadruplicando lucro, mas IA segue como desafio

John Ternus assume o comando de um grupo com receita anual de US$ 416 bilhões e pressionado a reduzir a dependência da China

Foto do ex-CEO da Apple Tim cook com uma camiseta preta em um fundo branco
Tim Cook estava no comando da Apple a 15 anos (Créditos: Divulgação/Apple)

A Apple iniciou uma nova fase nesta terça-feira (1), com John Ternus assumindo a presidência-executiva de uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo. A troca encerra os 15 anos de Tim Cook à frente da companhia e acontece enquanto a empresa amplia os investimentos em inteligência artificial. Após a mudança, Tim assume o cargo […]

A Apple iniciou uma nova fase nesta terça-feira (1), com John Ternus assumindo a presidência-executiva de uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo. A troca encerra os 15 anos de Tim Cook à frente da companhia e acontece enquanto a empresa amplia os investimentos em inteligência artificial.

Após a mudança, Tim assume o cargo de presidente-executivo do conselho de administração da empresa, orientando as relações da Apple com os formuladores de políticas públicas em meio às tensas relações entre seu mercado doméstico, os Estados Unidos, e a China, onde muitos de seus produtos são fabricados.

Cook assumiu o cargo de presidente-executivo da Apple logo após a renúncia Steve Jobs, tentando levar a empresa a um novo patamar sem ser apenas um “tapa buraco” de um dos maios nomes da companhia.

Ao contrário da genialidade de Jobs no design de produtos, Cook subiu na hierarquia da Apple ao tornar a cadeia de suprimentos da empresa motivo de inveja de todos os fabricantes. Como presidente-executivo, Cook usou essa mentalidade de priorizar as operações para levar os produtos de ponta da Apple ao grande público.

Tim compreendeu que a Apple poderia lucrar com o cliente muito tempo depois da venda do iPhone, transformando a base de 2,5 bilhões de usuários de iPhone em uma máquina de receita recorrente, com, por exemplo, serviços de assinatura. Esse negócio superou o crescimento do setor de hardware da empresa nos últimos anos.

As vendas anuais da Apple subiram de US$108 bilhões no início do mandato de Cook para US$416 bilhões no último ano fiscal, enquanto o lucro cresceu mais de quatro vezes, chegando a US$112 bilhões.

Seu negócio de aparelhos vestíveis, que inclui acessórios para iPhone da era Cook, como o Apple Watch e os AirPods, gerou US$35 bilhões em vendas no ano fiscal de 2025.

“Cook não apenas traçou seu próprio caminho de sucesso operacional e na cadeia de suprimentos, mas também criou uma cultura ‘orientada por valores’ dentro da Apple”, disse Christopher Brown, consultor financeiro da Synovus Securities, empresa de gestão de patrimônio privado que detém ações da fabricante do iPhone.

IA e outros erros

Os críticos há muito acusam a Apple de perder sua vantagem em inovação na era Cook. Segundo eles, o executivo não conseguiu responder ao que virá depois do iPhone, enquanto rivais no setor de hardware buscam substituir o smartphone como o dispositivo padrão do consumidor.

A gestão de Cook teve outras falhas: um projeto de veículos elétricos que durou uma década e que a Apple descartou em 2024, justamente quando eles começavam a decolar na China. A empresa também cometeu um erro notório ao lançar o Apple Maps em 2012, meses depois que Cook assumiu o comando, o que levou à saída de Scott Forstall, colaborador próximo de Jobs e chefe de software.

A aposta da Apple no headset de realidade aumentada Vision Pro, que estreou com o preço exorbitante de US$3.499 em 2023, não conseguiu gerar vendas sólidas, e seus produtos ficaram para trás em recursos de IA, incluindo atrasos na reformulação da assistente virtual Siri.

“A IA é o maior desafio para Ternus. A Apple precisa demonstrar que a IA será mais do que um aplicativo no iPhone, mais do que a Siri”, disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, que detém ações da Apple.

“Além da IA, a pressão para continuar a transferir a fabricação para fora da China sem comprometer as margens é uma tarefa difícil de se realizar, mas parte desse processo já está em andamento”, disse ele.

A dependência da Apple em relação à China proporcionou décadas de eficiência na fabricação, mas as crescentes tensões entre a China e os EUA, as tarifas comerciais e as interrupções na cadeia de suprimentos expuseram os riscos de concentrar a produção em um único país, levando a fabricante do iPhone a expandir a fabricação na Índia e em outros países.

Essas medidas, incluindo a fabricação na Índia da maioria dos iPhones destinados ao mercado dos EUA até o final de 2026 e a montagem de certos dispositivos, como AirPods e iPads, no Vietnã, ajudaram a Apple a lidar melhor com a tempestade de tarifas comerciais que afetou empresas em todo o território dos EUA.

(Com informações da Reuters)

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