A Meta, dona do Instagram e do Facebook, fechou acordos com duas jovens que acusam as redes sociais de serem projetadas para provocar uso compulsivo e prejudicar a saúde mental de adolescentes. Os valores e as condições negociadas com as adolescentes não foram divulgados. Com a decisão, anunciada nesta sexta-feira (30), a Snap, responsável pelo Snapchat, deve ser a única empresa a enfrentar o julgamento em Los Angeles, nos Estados Unidos, que começa em 4 de novembro.
As jovens, identificadas pelas iniciais S.J. e K.D.B., afirmam que desenvolveram hábitos compulsivos de uso das plataformas e tiveram problemas como depressão e transtornos alimentares. Elas também atribuem os danos a recursos como reprodução automática de vídeos e rolagem infinita de conteúdo.
A seleção do júri começou na quarta-feira (28), antes da conclusão dos acordos. A Meta já havia fechado um acordo com S.J. dias antes e anunciou nesta sexta-feira a resolução do caso envolvendo K.D.B. Os termos dos acordos não foram divulgados.
As duas jovens também haviam chegado a acordos com o TikTok e o YouTube. Com isso, a expectativa é que o julgamento prossiga apenas contra a Snap, que ainda não havia respondido a um pedido de comentário da Reuters.
Em comunicado, uma advogada de K.D.B. afirmou que a equipe está satisfeita com a resolução do caso e que continua comprometida em responsabilizar empresas de tecnologia e cobrar melhorias na segurança de crianças nas redes sociais.
A Meta, por sua vez, afirmou que acordos, arquivamentos e julgamentos fazem parte do processo de análise de ações desse tipo. A empresa declarou que continuará se defendendo na Justiça e que mantém seu histórico de desenvolvimento de ferramentas de segurança.
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O que as jovens alegam contra as redes sociais?
S.J., de 16 anos, e K.D.B., de 18, afirmam que começaram a usar o YouTube ainda na infância, aos 3 anos, e outras plataformas por volta dos 9 anos. Segundo as acusações, recursos de funcionamento dos aplicativos incentivaram o uso compulsivo e contribuíram para problemas de saúde mental e alimentação.
As empresas negam que suas plataformas tenham sido desenvolvidas para viciar crianças e adolescentes. Elas afirmam que adotaram medidas para tornar os aplicativos ambientes seguros para os jovens.
O processo faz parte de milhares de ações judiciais movidas nos Estados Unidos por pessoas, escolas, municípios e outras entidades. As acusações sustentam que empresas de tecnologia contribuíram para uma crise de saúde mental entre jovens, com casos de ansiedade, depressão e suicídio.
O julgamento em Los Angeles é o segundo envolvendo jovens a chegar à fase de julgamento em um tribunal estadual da cidade. No primeiro caso, encerrado em março, um júri considerou a Meta e o YouTube negligentes e determinou o pagamento de US$ 6 milhões em indenização a uma jovem.
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