Repetitive head impacts (RHIs) em esportes de contato, como o futebol americano, são um fator de risco significativo para a encefalopatia traumática crônica (CTE), uma condição neurodegenerativa que só pode ser diagnosticada post-mortem. Estudos recentes revelam que alterações celulares precoces, como a presença de microglia inflamatórias e a perda de neurônios, ocorrem em jovens expostos a RHIs, antes mesmo da deposição de p-tau, uma proteína associada à CTE.
Pesquisadores analisaram tecidos cerebrais de 28 indivíduos, incluindo 9 expostos a RHIs e 11 com CTE em estágios iniciais. Através de sequenciamento de RNA de núcleo único, foram identificadas microglia inflamatórias e alterações na expressão gênica associadas a processos inflamatórios e angiogênicos. A perda de neurônios na camada cortical 2/3 foi observada independentemente da presença de p-tau, sugerindo que a neurodegeneração pode iniciar antes do que se pensava.
Além disso, a pesquisa destacou a importância da microglia na resposta inflamatória e na neurodegeneração. A proteína TGFβ1 foi identificada como um sinal potencial que media a comunicação entre microglia e células endoteliais, indicando um caminho para futuras intervenções diagnósticas e terapêuticas. A exposição a RHIs, mesmo sem sintomas evidentes, pode levar a alterações celulares duradouras que afetam a saúde cerebral.
Essas descobertas são cruciais, pois revelam que milhões de jovens expostos a RHIs, seja em esportes, serviço militar ou violência doméstica, podem estar em risco de desenvolver CTE. A identificação precoce de alterações celulares pode abrir novas possibilidades para diagnóstico e tratamento, destacando a necessidade de monitoramento contínuo da saúde cerebral em atletas e indivíduos em risco.
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