Vanessa Maria da Silva, apontada como líder de uma fábrica clandestina de bebidas no ABC paulista, foi presa em outubro e condenada em primeira instância a sete anos de prisão por adulteração de bebidas. Investigações revelam uso de metanol tóxico para enriquecer o mix de gins, whiskies e vodcas vendidos a intermediários e estabelecimentos da região.
A polícia apreendeu o celular e documentos que subsidiaram a operação. Ao longo das apurações, foram coletados áudios que revelam estratégias para burlar a fiscalização e manter o fluxo de suprimento, mesmo com o aumento da pressão de autoridades.
Em São Paulo, o sistema de saúde registra 52 casos de intoxicação desde setembro, com 12 mortes. A polícia aponta que, no estado, bebidas falsificadas de Vanessa contribuíram para ao menos duas fatalidades e para uma pessoa que ficou cega.
Linha do tempo e localização
A prisão ocorreu em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, após fiscalização que detectou uma fábrica clandestina. Em seguida, houve a condução de Vanessa à prisão e a abertura de processo judicial. A defesa contesta o acesso aos dados do celular.
A investigação indica que a distribuição ocorria para bares, lanchonetes, padarias e restaurantes de várias cidades, com pagamentos majoritariamente via Pix. Dois postos de combustível no ABC teriam sido interditados por envolvimento na cadeia de abastecimento.
Move para dificultar a fiscalização
Entre as táticas discutidas pelo grupo, havia a sugestão de comprar bebidas com nota fiscal para driblar fiscalizações. Também houve menção a formas de disfarsar lacres e reduzir opções de produto para dificultar detecção.
A delegada Isa Lea Abramavicus explica que o material fabricado pode ter se espalhado por São Paulo e região metropolitana, sem confirmar vínculos com outros casos no país. A PF acompanha a aplicação de metanol de origem ilícita em casos de adulteração.
Desdobramentos e contexto
Duas vítimas consumiram bebidas adulteradas em um bar da zona leste, que foi interditado. O proprietário confessou ter adquirido o produto adulterado de um revendedor, que indicou Vanessa como fornecedora. Familiares próximos da acusada também são investigados.
O setor de destilados do país atua para reduzir riscos, com campanhas de conscientização, listas de varejistas homologados e canais de orientação a consumidores, bares e restaurantes sobre compras seguras.
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