At Merton College, em Oxford, a biblioteca medieval segue em funcionamento há 750 anos, segundo registro oficial. O decreto de 1276, emitido pelo Arcebispo de Canterbury, deu início ao acervo que permanece ativo até hoje. O tesouro não era ouro, mas livros.
A prática inicial envolvia três responsáveis para abrir o baú que guardava os volumes. Com o tempo, parte da coleção ficou externa ao baú, encadenada a uma mesa, permitindo consulta constante sem empréstimo direto. Walworth, bibliotecária, explica o método.
Na década de 1370, um recinto próprio foi construído para abrigar o acervo crescente. O sistema de prateleiras horizontais surgiu, considerado a primeira instalação desse tipo na Grã-Bretanha. Os livros eram encaixotados com as lombadas voltadas para dentro, por causa das correntes.
Hoje, apenas algumas obras permanecem acorrentadas, meramente para exibição. O espaço medieval permanece como uma cápsula do tempo, ainda usado por estudantes durante o período letivo. Segundo especialistas, é um dos mais antigos espaços contínuos de biblioteca.
Origens e mitos
Historiadores ressaltam que não há definição única de biblioteca, o que complica igualar títulos de idade. A biblioteca de Merton é descrita como uma das mais antigas em funcionamento na Europa, não como a mais antiga do mundo.
O debate sobre qual instituição é a mais antiga envolve três candidatas globais. A Al-Qarawiyyin, no Marrocos, foi restaurada em 2016, com reivindicações ambíguas sobre suas origens do século IX. Já Saint Catherine’s Monastery, no Egito, é apontada pelo Guinness como a mais antiga biblioteca em operação contínua.
Para a pesquisadora Teresa Webber, da Universidade de Cambridge, o conceito de “mais antigo” depende de como contar o tempo, de quais funções constitutivas da biblioteca se consideram. A discussão permanece aberta entre especialistas.
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