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Ana Paula Maia leva terror brasileiro da cena punk à final do Booker Prize

Ana Paula Maia é finalista do International Booker Prize com Assim na terra como embaixo da terra; disputa o troféu e cinquenta mil libras esterlinas em Londres

Única latino-americana finalista do International Booker Prize neste ano, Ana Paula Maia é a segunda brasileira a chegar à final de uma das maiores premiações literárias do mundo
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Ana Paula Maia, escritora brasileira, ficou entre as finalistas do International Booker Prize 2026 com a obra Assim na terra como embaixo da terra. O anúncio ocorreu durante a ocasião de divulgação dos candidatos à premiação, que reconhece ficção traduzida para o inglês publicada no Reino Unido ou Irlanda. Maia é a segunda brasileira a chegar à final, repetindo Itamar Vieira Junior, finalista em 2024.

A autora, 48 anos, reside em Curitiba e é natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A edição em inglês do romance produzido originalmente em 2017 pela Record, conta a história de uma colônia penal dominada por um carcereiro que caça os presos como se fossem animais. O livro já foi traduzido para o espanhol e publicado na Argentina, além de ter sido licenciado para o Reino Unido; há negociações para Portugal, Polônia, Grécia, Romênia e países do Oriente Médio.

Além da indicação ao International Booker Prize, a obra compete com outros cinco títulos, entre eles The Nights Are Quiet in Tehran, She Who Remains e The Director. O vencedor receberá 50 mil libras esterlinas, equivalente a cerca de 330 mil reais. A cerimônia ocorre na próxima terça-feira, 19 de maio, no museu Tate Modern, em Londres.

Antes de ganhar projeção internacional, Ana Paula Maia construiu uma carreira de mais de duas décadas na literatura, com nove livros publicados e traduções para mais de 12 países. Entre reconhecimentos, estão o Prêmio São Paulo de Literatura, além de premiações internacionais como Republic Consciousness e Cercador Prize. A autora já teve adaptação cinematográfica de Enterre Seus Mortos, lançada em 2024.

Em entrevista à Forbes Brasil, Maia detalha a trajetória autogestionada e a escolha de protagonistas masculinos em suas obras. A autora ressaltou que gerencia sozinha grande parte de sua carreira, inclusive a negociação de direitos de publicação. A conversa também abordou a rotina criativa, influências do terror e o processo de pesquisa para seu próximo livro.

Maia explica que a paixão pela escrita nasceu na infância, em meio a referências de cinema, literatura gótica e teatro. A autora afirmou que prefere manter a identidade de protagonista masculina em suas narrativas, destacando que essa escolha reflete seu espaço criativo. A entrevista também aborda o público leitor e a participação em eventos e oficinas ao longo da carreira.

A agenda recente de Maia inclui trabalhos de divulgação na América Latina e uma trajetória marcada pela independência editorial. Ela mantém residência em Curitiba, vive com o marido e dois cachorros, e planeja o lançamento de um novo romance de folk horror ainda para 2026, após três anos de pesquisa.

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