A pizzaria Chatubão, localizada no Cambuci, em São Paulo, integra um esquema investigado pela Polícia Civil que levou à prisão de Deolane Bezerra. O estabelecimento, aberto em 2014, funcionou por cerca de dois anos e teve participação de dois sócios antes de encerrar as atividades. Na operação, a polícia identificou movimentação atípica com recursos em espécie quase exclusivas, e uso de diversas contas correntes.
Durante o período em que esteve aberta, a pizzaria registrou apenas 58,39 reais movimentados em cartões de crédito ou débito ao longo de dois anos, segundo apuração policial. Recursos em espécie eram frequentes, e o perfil da empresa indicou baixa atividade financeira via meios eletrônicos. A página da loja na internet reunia 12 publicações, sendo quase todas de pizzas.
A empresa possuía três contas correntes, e a investigação aponta que 94% dos 566 mil reais recebidos em quatro anos tinham origem não identificada. A polícia destacou inconsistências entre valores repassados ao sócio Everton de Sousa e o faturamento declarado em registros oficiais. Estima-se que houve discrepância entre pagamentos ao sócio e a receita declarada.
Everton de Sousa, apontado como operador de uma rede destinada a lavar dinheiro para a facção PCC, foi indiciado e preso. Segundo apurações, o mesmo endereço hospedou um bar homônimo e uma transportadora associada ao esquema, além de outras empresas ligadas que operavam para fracionar ou dissimular valores. A rede incluiria locadoras de veículos e serviços automotivos.
A investigação aponta que Deolane Bezerra abriu 35 empresas no mesmo endereço residencial, atuando como espécie de caixa para a facção criminosa. Em relação à transportadora de Presidente Venceslau, a polícia indica que a empresa repassou pouco mais de 1 milhão de reais à influenciadora, sem comprovação de prestação de serviços. A autoridade destaca que o conjunto de empresas e operações sugere uso da estrutura como fachada.
A pizzaria Chatubão não existe mais hoje, mas os investigadores ressaltam a relação entre o estabelecimento e o esquema maior. Segundo a polícia, a combinação de atividades de gêneros alimentícios com fluxo financeiro não identificado e repasses atípicos aponta para lavagens de dinheiro operadas pela rede investigada. As apurações seguem para mapear a extensão das ligações entre as empresas do grupo.
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