Marc Bloch, historiador francês, será entronizado no Panthéon 82 anos após ter sido fuzilado pelos nazistas e seus colaboradores. A cerimônia no templo laico do Quartier Latin marca o reconhecimento póstumo de sua trajetória acadêmica e de resistência.
Bloch, fundador da escola Annales ao lado de Lucien Febvre, ampliou a historiografia ao incorporar a economia e a mentalidade social aos estudos. Entre suas obras está Os Reis Taumaturgos, que explorou o poder de cura dos monarcas medievais e influenciou a abordagem de gerações de historiadores.
Ao longo da vida, Bloch atuou na resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Fez parte da resistência em Rennes e escreveu, na clandestinidade, A Estranha Derrota, análise crítica da capitulação italiana frente ao nazismo. O manuscrito foi publicado após a Liberação.
A trajetória de Bloch abre espaço para olhar o Panthéon como espaço secular, onde personalidades de distintos campos são homenageadas. Entre os primeiros entronados estão Mirabeau e Marat, figuras centrais da Revolução, cujos legados refletiram momentos de instabilidade política na França.
Mirabeau, um jacobino de raiz, teve suas cartas reveladas após a morte e foi alvo de controvérsia política, acabando por afastar-se da tumba. Já Marat, iconizado pela defesa popular, enfrentou mudança de destino após o desenrolar dos fatos revolucionários. Em ambos os casos, a instabilidade institucional moldou a permanência de seus legados.
O Panthéon é hoje um símbolo da nação laica e de pluralidade de ideias, com uma história sinuosa de mudanças de regime. A cada transformação, o edifício recebeu ajustes que refletiram o amadurecimento institucional da República francesa.
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