Morreu na madrugada deste sábado o poeta, ensaísta, editor e tradutor Alexei Bueno, aos 63 anos, no Rio de Janeiro. A confirmação partiu de Marco Lucchesi, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e da Editora Lume. Bueno estava enfrentando um câncer.
Ao longo de sua carreira, Bueno organizou obras de nomes-chave da literatura brasileira, especialmente para a editora Nova Aguilar, nos anos 1990. Entre os autores selecionados estavam Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, Álvares de Azevedo e Olavo Bilac.
Além de editor, ele consolidou-se como tradutor de poesia universal, lidando com autores como Edgar Allan Poe, Henry Wadsworth Longfellow, Stéphane Mallarmé, Giacomo Leopardi e William Shakespeare. Sua versão de O Corvo é reconhecida pela complexidade formal.
Legado e obras
Em 1998 publicou a primeira edição brasileira anotada da História Trágico-Marítima, obra de Bernardo Gomes de Brito. Também organizou Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, e coordenou, nos anos 2000, uma antologia da poesia romântica brasileira a pedido da Unesco.
Entre seus projetos autorais, destaca-se Machado, Euclides & Outros Monstros (2012), que reúne ensaios sobre clássicos brasileiros. Em 2022 lançou A Escravidão na Poesia Brasileira: Do século 17 ao 21, obra de referência com 80 poetas e mais de 220 textos.
Ao longo da carreira, Bueno foi presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, contribuindo para a preservação de acervos e da memória literária brasileira. Em entrevista à Folha de S. Paulo em 2003, ele criticou a decadência da crítica literária no país e defendeu uma crítica mais social.
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