O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, se reuniram na terça-feira (21) com representantes de setores da indústria afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil.
O objetivo do encontro foi ouvir as demandas de cada segmento e discutir medidas para reduzir os impactos da sobretaxa, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22)
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Fernando Elias Rosa, se reuniram na terça-feira (21) com representantes de setores da indústria afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil.
O objetivo do encontro foi ouvir as demandas de cada segmento e discutir medidas para reduzir os impactos da sobretaxa, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22)
Segundo entidades que participaram da reunião, o governo sinalizou que o pacote de apoio será desenhado de forma específica para cada setor, levando em conta as particularidades de cada cadeia produtiva.
🔍Entre as principais reivindicações apresentadas estiveram a ampliação das linhas de crédito, mudanças no programa Brasil Soberano, fortalecimento do Reintegra e a continuidade das negociações diplomáticas com Washington, sem adoção de medidas de reciprocidade.🔍
Indústria de máquinas pede reforço ao crédito e compensação tributária
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que o segmento está entre os mais expostos às novas tarifas norte-americanas. Na reunião, a entidade foi representada pelo presidente do Conselho de Administração, Gino Paulucci Jr., pelo presidente executivo, José Velloso, e pela diretora executiva de Mercado Externo, Patrícia Gomes.
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Entre as propostas apresentadas estão a retomada do Reintegra, mecanismos para compensação de créditos tributários acumulados, diferimento de tributos federais para reforçar o capital de giro das empresas, ampliação do apoio à abertura de novos mercados e prorrogação dos prazos do drawback diante do adiamento de embarques.
A Abimaq também defendeu mudanças no programa Brasil Soberano, como ampliação do acesso ao crédito, redução das taxas de juros, revisão dos critérios de elegibilidade, isenção do IOF sobre operações de financiamento e fortalecimento dos mecanismos de garantia para exportadores.
🔍Lançado pelo governo federal em resposta aos impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o Plano Brasil Soberano reúne medidas de apoio às empresas exportadoras. Entre os principais instrumentos estão linhas de crédito com condições favorecidas, ampliação de garantias para financiamentos, incentivo à diversificação de mercados internacionais e ações para preservar empregos e a competitividade da indústria nacional🔍
Setor calçadista rejeita retaliação e cobra medidas emergenciais
O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, afirmou que a prioridade do setor é manter as negociações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos, descartando medidas de reciprocidade.
Segundo a entidade, os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de calçados e respondem por cerca de 20% da receita obtida com vendas externas. Com a nova tarifa, a previsão é que as exportações do setor recuem 7,1% neste ano — o dobro da estimativa anterior, de 3,6%.
Como medidas emergenciais, a Abicalçados propôs a criação de uma nova etapa do Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito facilitadas e de menor custo, além da ampliação do Reintegra, cuja alíquota hoje é de apenas 0,1%, embora a legislação permita percentual de até 5%.
A entidade também pediu medidas compensatórias no mercado interno, como maior fiscalização das importações, fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e adoção de salvaguardas para conter o avanço de produtos importados, principalmente da China, Vietnã e Indonésia.
Indústria do plástico alerta para perdas bilionárias
A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) também participou da reunião e manifestou preocupação com os efeitos da nova tarifa sobre a competitividade do setor.
Segundo a entidade, os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, e a sobretaxa pode gerar perdas entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões para atividades ligadas direta ou indiretamente ao setor plástico.
A associação destacou que a medida ameaça principalmente pequenas e médias empresas exportadoras com forte dependência do mercado norte-americano e reforçou que a abertura de novos mercados não ocorre de forma imediata.
A entidade defende que a solução passe pela negociação entre os governos brasileiro e norte-americano e por medidas emergenciais de apoio às empresas enquanto durar o impasse comercial.
Outros setores
Também participaram da reunião representantes da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), que informou não ter sido significativamente afetada pela tarifa adicional.
O Portal Tela também entrou em contato com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), mas até a publicação da reportagem, as associações não haviam informado se participaram da reunião.
A expectativa é que o governo federal anuncie ainda essa semana um conjunto de medidas voltadas aos setores mais impactados pela nova política tarifária dos Estados Unidos.
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