O Brasil bateu recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido, mostrou a 20ª edição do Anuário da Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Foram 1.571 vítimas do crime em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, sendo a taxa nacional de 1,4 vítimas por grupo de 100 mil mulheres.
O Brasil bateu recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido, mostrou a 20ª edição do Anuário da Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Foram 1.571 vítimas do crime em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior, sendo a taxa nacional de 1,4 vítimas por grupo de 100 mil mulheres.
Segundo o estudo, embora o Brasil tenha reduzido as mortes violentas em geral e alcançado a menor taxa de homicídios em 13 anos, os feminicídios continuam em trajetória de crescimento, revelando que a redução da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos sociais.
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Os dados mostram que 96,4% dos feminicídios foram cometidos por homens. Em 60,9% dos casos, o autor era o parceiro íntimo da vítima; em 18,9%, um ex-companheiro; e em 12,1%, um familiar.
O perfil das vítimas também evidencia a vulnerabilidade das mulheres dentro do ambiente doméstico. Das vítimas, 65,1% eram negras, 65,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram assassinadas dentro da própria residência.
O Fórum afirma que os dados reforçam os limites de políticas baseadas apenas na repressão criminal e apontam para a necessidade de ampliar ações de prevenção, intervenção precoce e monitoramento de fatores de risco ligados à violência doméstica.
Violência doméstica aumenta
O Anuário registrou o crescimento de diversos indicadores relacionados à violência contra mulheres, um deles é a violência doméstica. Segundo o relatório, as ocorrências chegaram a 286.270 registros em 2025, alta de 2,6%. Os casos de stalking aumentaram 30,1%, totalizando 123.871 registros.
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Também cresceram as notificações de violência psicológica, que atingiram 60.830 ocorrências, e os descumprimentos de medidas protetivas de urgência, que somaram 132.025 casos, avanço de 16,7%.
As ameaças contra mulheres permaneceram elevadas, com 788.531 registros (+0,5%), enquanto as tentativas de feminicídio aumentaram 5,9%, chegando a 4.189 vítimas.
Estupros recuam
Já em relação aos casos de estupro e estupro de vulnerável, pela primeira vez desde a pandemia, o Brasil registrou queda. Foram 84.388 vítimas em 2025, redução de 5,4%, com taxa de 39,5 casos por 100 mil habitantes.
Apesar da redução, o Fórum alerta que o resultado pode refletir menor capacidade de denúncia, e não necessariamente diminuição da violência sexual, historicamente marcada pela subnotificação.
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As estatísticas mostram que 77% das vítimas eram vulneráveis, 87,8% eram do sexo feminino e 57,1% eram negras. Entre os casos envolvendo crianças de até 13 anos, 59,2% dos autores eram familiares da vítima e 36,9% eram conhecidos.
Nos casos envolvendo vítimas com 14 anos ou mais, 30% dos agressores eram familiares, 29,6% parceiros íntimos, 25,5% conhecidos e 9,6% ex-companheiros.
Violência contra crianças preocupa
O levantamento também aponta crescimento de diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes. Os registros de maus-tratos, por exemplo, aumentaram 14,6%, alcançando 38.986 casos.
A lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra crianças cresceu 5,5%, para 21.811 registros.

Infográfico mostra dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública | Reprodução/IA
Também houve alta nos casos de abandono de incapaz (+18,5%), subtração de crianças e adolescentes (+33,7%), bullying (+68,2%) e cyberbullying (+61,4%).
Pela primeira vez, o Anuário analisou microdados nacionais sobre produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil. Em 2025, foram identificadas 4.063 vítimas efetivamente retratadas em conteúdos que circulavam na internet, alta de 25,3% em relação ao ano anterior.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário demonstra que, enquanto a violência letal diminui, persistem e se expandem formas de violência dirigidas a mulheres, crianças e adolescentes, especialmente aquelas potencializadas pelo ambiente doméstico e pelas tecnologias digitais.
🔍O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne dados enviados pelas secretarias estaduais de segurança pública, polícias civis, militares e Federal, além de outras fontes oficiais.🔍
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