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Mais de 300 milhões de pessoas vivem nas ruas e 1.000 em condições precárias

Anacláudia Rossbach alerta para a urgência de políticas habitacionais eficazes diante da crise global de habitação.

Anacláudia Rossbach, diretora executiva da ONU-Hábitat, em 4 de junho de 2025 em Madrid (Foto: JUAN BARBOSA)
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  • Anacláudia Rossbach, diretora da ONU-Habitat, participou da IV Conferência de Financiamento para o Desenvolvimento em Sevilha.
  • Ela destacou a necessidade de mudanças sistêmicas para garantir o acesso à habitação.
  • Mais de um bilhão de pessoas vivem em assentamentos precários, com a crise habitacional afetando principalmente o Sul Global.
  • Rossbach mencionou soluções fiscais criativas em municípios africanos, como impostos sobre propriedades, mas ressaltou a importância do apoio dos governos nacionais.
  • A diretora alertou que, até 2050, dois terços da população mundial viverão em áreas urbanas, exigindo preparação das cidades, especialmente na África e na Ásia.

A diretora da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, participou da IV Conferência de Financiamento para o Desenvolvimento em Sevilha, onde enfatizou a necessidade de mudanças sistêmicas para garantir o acesso à habitação. Rossbach destacou que mais de 1 bilhão de pessoas vivem em assentamentos precários e que a crise habitacional é uma questão global.

Durante a conferência, a economista observou um espírito de colaboração entre os países para enfrentar a crise. Ela mencionou a criatividade em soluções fiscais em municípios africanos, como o uso de impostos sobre propriedades para aumentar a arrecadação. No entanto, ressaltou que essas iniciativas precisam do apoio dos governos nacionais para serem efetivas.

Rossbach alertou que a crise de habitação é estrutural, afetando principalmente o Sul Global, onde os mercados imobiliários são limitados. A dificuldade de acesso à moradia se estende a cidades grandes em todo o mundo, com 300 milhões de pessoas vivendo nas ruas e 3 bilhões em condições inadequadas.

A diretora também abordou a situação da habitação na Espanha, comparando-a a outros países europeus. Ela destacou o envelhecimento do estoque habitacional e a necessidade de adaptação às novas exigências climáticas. A escassez de moradias em áreas turísticas e a especulação imobiliária foram apontadas como desafios adicionais.

Rossbach enfatizou que investir em políticas habitacionais é uma estratégia de longo prazo. Para enfrentar a crise, é essencial garantir acesso a materiais de construção e implementar políticas de solo eficazes. A falta de capacidade fiscal em muitos países limita a oferta de habitação, o que pode resultar em segregação social.

A diretora concluiu que, com a previsão de que dois terços da população mundial viverá em áreas urbanas até 2050, é crucial que as cidades estejam preparadas para receber essa população, especialmente na África e na Ásia, onde as necessidades habitacionais são mais urgentes.

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