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‘Recuo na agenda sustentável abre caminho para novas oportunidades’

John Elkington afirma que a crise do ESG é uma chance para o Brasil liderar em bioeconomia e reimaginar mercados sustentáveis

Vivemos um período louco, um pouco como no período de Joseph McCarthy nos EUA, em que os chamados comunistas eram perseguidos (Foto: Diego Padgurschi/Estadão Blue Estúdio)
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  • O conceito de ESG (ambiental, social e governança) enfrenta críticas, especialmente nos Estados Unidos.
  • John Elkington, considerado o “pai da sustentabilidade”, vê a crise do ESG como uma oportunidade para repensar práticas sustentáveis.
  • Ele destaca o potencial do Brasil em bioeconomia e critica a falta de atenção dos políticos para questões ambientais e sociais.
  • Elkington menciona a necessidade de explorar petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, enfatizando a importância de altos padrões de exploração.
  • Ele defende que o sucesso do ESG depende de um redesenho do mercado, citando o exemplo da Noruega e a influência de empresas pioneiras nas políticas públicas.

Os desafios enfrentados pela agenda ESG (ambiental, social e governança) têm gerado debates acalorados, especialmente nos Estados Unidos. John Elkington, considerado o “pai da sustentabilidade”, vê essa crise como uma oportunidade para repensar práticas sustentáveis e redesenhar mercados. Ele destaca a importância da bioeconomia e da gestão de recursos naturais, especialmente no Brasil.

Elkington, que introduziu o conceito de “Triple Bottom Line” em 1994, acredita que o ESG se tornou um “frenesi alimentar”, onde muitas empresas adotaram a terminologia sem um compromisso real. Ele observa que, embora algumas empresas estejam recuando em suas promessas de sustentabilidade, muitas ainda reconhecem a importância dessas questões para o futuro do mercado. “Essa é uma oportunidade para trabalhar em um nível diferente,” afirma.

Oportunidades no Brasil

O Brasil, segundo Elkington, possui um potencial significativo para se tornar um líder em bioeconomia nos próximos 30 anos. No entanto, ele critica a falta de reconhecimento por parte de políticos sobre os problemas ambientais e sociais. “O Brasil precisa prestar mais atenção não apenas à Amazônia, mas à Mata Atlântica e a todos os recursos naturais que possui,” ressalta.

Ele também menciona a inevitabilidade da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, considerando que o país precisa de energia. “Se isso vai ser feito, é preciso aprender com o que há de melhor para garantir que os padrões sejam os mais altos possíveis,” enfatiza Elkington, alertando para a sensibilidade do ecossistema amazônico.

Redesenho do Mercado

Elkington defende que o sucesso do ESG depende de um redesenho do mercado. Ele cita o exemplo da Noruega, onde políticas públicas incentivaram o uso de veículos elétricos, resultando em 90% das vendas de carros novos sendo elétricos. “Pequenos incentivos podem mudar um mercado,” observa.

O especialista acredita que, apesar das dificuldades atuais, a mudança é possível. “Empresas pioneiras podem influenciar governos a fazer a coisa certa,” conclui. O futuro do ESG, segundo ele, está em integrar práticas sustentáveis de forma mais profunda e significativa nas operações empresariais.

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