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Brasil enfrenta desafios geopolíticos para aumentar financiamento climático necessário

Brasil enfrenta escassez de investimentos em financiamento climático, com 79% dos recursos direcionados a outras regiões até 2035

Maria Netto, do ICS: conflito próximo preocupa os países europeus (Foto: Maria Isabel Oliveira/ O Globo)
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  • O financiamento climático global enfrenta desafios, com a meta de US$ 1,3 trilhão até 2035 sendo uma preocupação para os países do Sul Global.
  • O Brasil, apesar de suas riquezas naturais, recebe apenas uma pequena parte dos investimentos, com 79% dos recursos destinados a outras regiões, como Ásia-Pacífico e Europa.
  • Durante um painel em São Paulo, Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade, destacou que o cenário geopolítico atual desvia a atenção das questões climáticas.
  • Tatiana Assali, da Environmental Resources Management, afirmou que a maior parte do financiamento climático está concentrada longe do Brasil.
  • Especialistas sugerem que é necessário mostrar que o financiamento climático pode impulsionar o desenvolvimento econômico, com iniciativas como o projeto “COP30 Amazônia” buscando promover essas discussões.

O financiamento climático global enfrenta desafios significativos, com a meta de US$ 1,3 trilhão até 2035 se tornando uma preocupação crescente, especialmente para os países do Sul Global. O Brasil, apesar de suas riquezas naturais, ainda não recebe investimentos adequados, com 79% dos recursos destinados a outras regiões, como Ásia-Pacífico e Europa.

Durante o painel “Como alcançar a marca de US$ 300 bilhões de financiamento climático por ano até 2035”, realizado em São Paulo, Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), destacou que o cenário geopolítico atual, marcado por conflitos como o da Rússia e Ucrânia, desvia a atenção das questões climáticas. “Os países europeus estão mais preocupados com segurança do que com auxílio para o clima”, lamentou Netto.

Tatiana Assali, sócia da Environmental Resources Management (ERM), ressaltou que o financiamento climático está concentrado em regiões distantes do Brasil. “79% vão para Ásia-Pacífico, América do Norte e Europa”, afirmou. Além disso, muitos pequenos produtores rurais, que já possuem práticas sustentáveis, permanecem à margem do sistema financeiro, segundo Caroline Dihl Prolo, head de Stewardship Climático da fama re.capital.

Para aumentar os investimentos em soluções sustentáveis, os especialistas sugerem que é fundamental demonstrar que o financiamento climático não apenas beneficia o planeta, mas também pode impulsionar o desenvolvimento econômico. O projeto “COP30 Amazônia” busca promover essas discussões, com apoio de diversas instituições e empresas, visando um futuro mais sustentável para o Brasil.

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