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Usuários se veem viciados no Instagram, mas apenas 2% têm sintomas

Estudo do grupo Nature revela que a maioria confunde hábito automático com dependência clínica.

Estudo mostra que a percepção de vício é maior que a realidade clínica.
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  • Estudo publicado na Scientific Reports com mais de 1.200 adultos aponta que 2% têm risco clínico de dependência do Instagram e 18% relatam sentir-se viciados.
  • O rótulo de vício reduz a autoeficácia e pode atrapalhar mudanças no uso, sugerindo foco em hábitos e políticas públicas para gerenciar o uso.
  • Em experimento, pedir que voluntários escrevessem sobre momentos em que se sentiram viciados mudou apenas a percepção, sem alterar o comportamento real.
  • A pesquisa ressalta que o enquadramento como vício aumenta autoculpa e reduz a crença na própria capacidade de reduzir o uso; 35% apresentam hábitos fortes, apesar de baixo risco clínico.
  • Recomenda-se estratégias baseadas em hábitos e ajustes ambientais; mudanças significativas dependem de políticas públicas que incentivem ferramentas de gestão de tempo nas plataformas.

O estudo divulgado pela Scientific Reports, do grupo Nature, analisou mais de 1.200 adultos para entender a percepção de vício no Instagram. Os resultados apontam que apenas 2% apresentam sintomas compatíveis com risco clínico de dependência, enquanto 18% relatam sentir-se viciados de alguma forma.

A pesquisa mostra que a maioria das pessoas superestima o próprio vício. Ao pedir que parte dos voluntários escrevesse por dois minutos sobre momentos em que se sentiram viciados, não houve mudança no comportamento real, apenas na percepção. O rótulo reduz a autoeficácia.

Segundo o pesquisador Ian Anderson, o uso do termo vício sem evidência clínica pode piorar a relação do usuário com a plataforma. A breve tarefa de descreve momentos de dependência já basta para alterar a percepção de controle sobre o uso.

Dados complementares indicam que 35% apresentam hábitos fortes de uso, enquanto apenas 2% estão em risco de dependência. Assim, os especialistas recomendam estratégias baseadas em hábitos, não em conceito de vício, para facilitar mudanças.

Os autores destacam que mudanças na forma de encarar o comportamento podem aumentar o senso de controle e favorecer ajustes no ambiente, interrompendo gatilhos automáticos. Estratégias de detox digital direto não foram avaliadas, mas o enquadramento como hábito pode favorecer intervenções mais eficazes.

Concluem que políticas públicas podem auxiliar ao exigir ferramentas de gestão de tempo e redução de uso nas plataformas. Tais medidas devem buscar mecanismos reais de gerenciamento, ao invés de depender apenas de abordagens de caráter moral ou punitivo.

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