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Precariedade laboral compromete a segurança cibernética no mercado de trabalho

Governo espanhol investe €1,157 bilhões em cibersegurança, mas profissionais temem desigualdade na distribuição e condições de trabalho precárias

O mercado de cibersegurança na Espanha é estimado em mais de 2.400 milhões. (Foto: Cravetiger - GETTY IMAGES)
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  • O governo espanhol anunciou um investimento de 1.157 milhões de euros para fortalecer a cibersegurança no país.
  • A medida busca proteger a Espanha, que é um dos países mais atacados por cibercriminosos.
  • Profissionais do setor expressam preocupações sobre a distribuição dos recursos e as condições de trabalho.
  • A média salarial em cibersegurança na Espanha é de 28.000 euros anuais, inferior aos salários oferecidos por empresas estrangeiras.
  • Cerca de um terço dos graduados em cibersegurança na Espanha trabalha para empresas no exterior, atraídos por melhores condições e salários.

O governo espanhol anunciou um investimento de 1.157 milhões de euros para fortalecer a cibersegurança no país, que enfrenta desafios como a escassez de profissionais qualificados e baixos salários. A medida visa proteger a Espanha, um dos países mais atacados por cibercriminosos e Estados rivais.

Entretanto, há preocupações sobre a distribuição equitativa desses recursos. Profissionais do setor alertam que a precariedade nas condições de trabalho e a falta de um acordo coletivo adequado podem limitar os benefícios desse investimento. A média salarial em cibersegurança na Espanha gira em torno de 28.000 euros anuais, enquanto empresas estrangeiras oferecem salários significativamente mais altos, atraindo talentos locais.

A demanda por especialistas em cibersegurança está crescendo, mas muitos profissionais estão deixando o país. Segundo José Varela, da União Geral de Trabalhadores (UGT), cerca de um terço dos graduados em cibersegurança na Espanha trabalha para empresas estrangeiras, que oferecem melhores condições, como trabalho remoto e investimento em formação.

Além disso, a falta de reconhecimento das funções e a exigência de experiência sem a devida compensação financeira são problemas recorrentes. Guzmán Nieto, do setor TIC da USO, destaca que muitos profissionais são tratados como estagiários, mesmo em funções críticas. Essa situação resulta em uma alta rotatividade, com mais de 50% dos trabalhadores deixando suas posições.

A precariedade também se reflete nas jornadas de trabalho, com exigências de plantões em centros de operações de segurança (SOC) sem a devida remuneração por horas extras. Alfredo Estirado, CEO da TRC, acredita que a automação pode aliviar algumas dessas pressões, mas ressalta que o valor do setor está nas pessoas, não apenas na tecnologia.

Marta Carrascosa, especialista em recursos humanos, aponta que a falta de competitividade do mercado espanhol e a resistência a novas práticas, como o teletrabalho, contribuem para a fuga de talentos. A situação exige uma reavaliação das condições de trabalho e salários para que o setor de cibersegurança na Espanha possa se fortalecer e reter seus profissionais.

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