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Nunes reduz despesas e congela pagamentos após gastos recordes em ano eleitoral

Cortes de R$ 14,2 bilhões em serviços sociais geram protestos e alertas sobre a vulnerabilidade de 75 mil pessoas atendidas na cidade

Funcionários de entidades de assistência social protestam contra congelamento nos repasses, em frente à Câmara Municipal (Foto: Mariana Zylberkan/Folhapress)
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Após um aumento expressivo nas despesas desde 2021, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) implementou cortes significativos nos gastos nos primeiros seis meses de 2023. Com uma redução de 21,7% nas despesas, a administração economizou R$ 14,2 bilhões em comparação ao mesmo período do ano anterior. As áreas mais impactadas foram assistência social, saúde, educação e transporte, que enfrentaram cortes de cerca de 16%.

O orçamento de R$ 121,4 bilhões em 2022 foi o maior já registrado na cidade de São Paulo, impulsionado por uma arrecadação crescente e acordos com a União que aliviaram dívidas. Em 2023, a receita municipal aumentou, totalizando R$ 53,8 bilhões nos primeiros seis meses, superando os R$ 51,7 bilhões do mesmo período de 2024. Contudo, os cortes nas despesas geraram protestos de funcionários de entidades de assistência social, que reclamam do congelamento de repasses e da redução de vagas em serviços sociais.

Protestos e Reivindicações

Organizações sociais expressaram preocupação com a situação financeira, destacando que o congelamento nos pagamentos compromete a execução dos serviços. A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Eliana Gomes, alertou sobre a necessidade de uma suplementação orçamentária de R$ 56,5 milhões para manter 514 serviços que atendem 75 mil pessoas, incluindo moradores de rua e crianças em situação de vulnerabilidade.

Além disso, a gestão municipal não comentou os cortes, mas afirmou que o orçamento deste ano é 12,5% maior que o anterior, prevendo ampliação de investimentos. No entanto, a assistência social sofreu uma redução de 26,8%, com gastos de R$ 1,4 bilhão até junho de 2023, em comparação aos R$ 2 bilhões do mesmo período em 2024.

Ajustes Necessários

Para Marco Antonio Carvalho Teixeira, pesquisador da FGV, os cortes são uma resposta à necessidade de ajustar as contas, que aumentaram com os investimentos realizados. Ele ressalta que, se a receita não se concretiza como esperado, cortes se tornam inevitáveis. A gestão de Nunes, que busca equilibrar despesas e receitas, enfrenta um cenário desafiador, especialmente em um ano eleitoral.

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