A Instituição Fiscal Independente (IFI) divulga nesta quinta-feira um relatório que aponta uma deterioração fiscal no Brasil, embora não caracterize uma crise aguda como a da Argentina. O diretor-executivo, Marcus Pestana, destaca que o crescimento das despesas obrigatórias e os déficits primários são os principais fatores dessa situação.
A IFI projeta um crescimento do PIB de 1,7% e uma inflação de 4,3% para 2026, valores que divergem das estimativas do governo, que espera um crescimento de 2,4% e inflação de 3,6%. Essa discrepância gera incertezas sobre a possibilidade de o governo alcançar a meta fiscal de um superávit primário de 0,25% do PIB no mesmo ano.
Desafios Fiscais
O relatório indica um déficit primário efetivo de R$ 103 bilhões, o que representa 0,7% do PIB. Após considerar os descontos legais, o déficit ainda seria de R$ 45 bilhões. Para atingir a meta orçamentária, seria necessário um esforço adicional de R$ 79 bilhões, equivalente a 0,55% do PIB.
Pestana ressalta que a compressão da margem de investimentos em áreas como inovação e infraestrutura compromete a produtividade. Além disso, a perda de consistência do arcabouço fiscal afeta a confiança dos agentes econômicos, dificultando a correção de desequilíbrios nas finanças públicas.
Incertezas Orçamentárias
O relatório também menciona que várias medidas orçamentárias ainda dependem da aprovação do Congresso Nacional, incluindo a tributação de aplicações financeiras e o aumento da carga tributária sobre fintechs. Essas incertezas podem impactar ainda mais a execução do orçamento de 2026, exigindo atenção redobrada das autoridades fiscais.
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