A história da Buritirama chega à tona com a trajetória de João Araújo, que assumiu o controle da mineradora após uma fase de crise. Em 2015, a empresa acumulava passivo de 350 milhões de reais e enfrentava risco de falência. A reviravolta começou com ações estratégadas por Araújo, então diretor financeiro.
João Araújo comprou 10% da Buritirama, assumindo responsabilidade solidária por parte da dívida. Sem patrimônio pessoal, ele quitou compromissos e, em poucos anos, levou a companhia a um caixa positivo de cerca de 1 milhão e a expansão que elevou o faturamento para 750 milhões entre 2015 e 2018.
Entre 2018 e 2019 houve ruptura societária: Silvio Tini pretendia vender seus 90% e Araújo buscava consolidar o controle. O acordo resultou na aquisição do negócio por Araújo, por meio de um acordo de meio bilhão de reais, com quitação de dívidas a bancos como Bradesco e Itaú.
Em 2021, Araújo assinou contrato com a Minmetals para fornecer 1,5 milhão de toneladas de manganês por ano por dez anos, com pré-pagamento de US$ 400 milhões. O acordo enfrentou disputas judiciais e paralisia de exportações, levando o STJ a decidir sobre o futuro operacional.
A Buritirama, sob a gestão de Araújo, tornou-se uma referência no manganês. A empresa passou a controlar a Mina de Buritirama, no Pará, estimando produção superior a 2,5 milhões de toneladas por ano e respondendo por grande parte das exportações brasileiras do metal.
Mudanças estratégicas e expansão do Grupo Buritipar
Para reduzir dependência de uma única commodity, Araújo estruturou o Grupo Buritipar, diversificando operações. O conglomerado incluiu investimentos na Paranapanema, transformadora de cobre, visando margens mais estáveis e atuação dolarizada.
Além disso, o grupo investiu em potássio e derivados, fortalecendo a cadeia logística com portos, transbordos e frota própria. Essa integração reduziu custos, elevou a eficiência e ampliou a visão de longo prazo do grupo no setor mineral.
Desafios e futuro
O acordo de meio bilhão de reais para aquisição da Buritirama custou à família a venda de 150 milhões de reais, enquanto Araújo assumiu um passivo estimado em 350 milhões. Entre 2018 e 2019, a empresa viveu um limbo jurídico, com disputa de credores e falta de contrato formal.
A relação com a Glencore, que detinha grande parte do faturamento, sofreu com atrasos em pagamentos. A resposta veio com o acordo chinês, mas o futuro depende de decisões do STJ, que avaliará o equilíbrio entre obrigações, dívidas e o controle efetivo da gestão.
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