O mercado de capitais brasileiro tende a ampliar a oferta de ações em 2026, segundo executivos de grandes bancos. A expectativa é impulsionada pela queda de juros e pela migração de recursos de títulos para ações, com demanda firme de investidores estrangeiros.
Bancos como Bradesco e Itaú BBA destacam oportunidades em setores como imobiliário, infraestrutura e varejo. Bruno Boetger, do Bradesco, aponta cinco potenciais emissores para ofertas adicionais neste momento, com possibilidade de novas surpresas no semestre.
Entrevistados pela Bloomberg News, executivos afirmam que a revisão de juros pode começar em março, elevando a atratividade de captação de recursos no Brasil. Fraser* ressalva, ainda, que o cenário depende de corte da Selic e de ajustes fiscais anunciados para 2027.
Mercado em perspectiva
O PicPay captou US$ 434 milhões em IPO nos EUA na semana passada, marcando a primeira estreia relevante de uma empresa brasileira em mais de quatro anos. A demanda chegou a cerca de 12 vezes o volume de ações disponíveis.
O Agibank pretende abrir capital nos EUA em 10 de fevereiro, buscando valor de mercado ao redor de US$ 3,3 bilhões no topo da faixa. A demanda inicial foi de 4,5 vezes o estoque ofertado, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
A MDNE3, antiga Moura Dubeux, vendeu R$ 483 milhões em oferta adicional na bolsa brasileira no mês anterior, destacando o apetite por ativos do setor imobiliário. Construtoras, shoppings e varejo aparecem entre os destaques.
Participação e cenário externo
O Itaú BBA estima possibilidade de IPOs locais, especialmente no setor de infraestrutura, com empresas de porte estável que precisam de capital. O Morgan Stanley aponta cenário de fluxo de câmbio favorável a ativos brasileiros, com juros em trajetória de queda.
Entre os pontos positivos, investidores estrangeiros migrando para mercados emergentes contribuem para o ingresso líquido de capitais na bolsa brasileira. Em janeiro, esse fluxo atingiu R$ 26,3 bilhões, superando o volume anual de 2025.
Cristiano Guimarães, do Itaú BBA, ressalta que o Brasil se beneficia da busca por retornos globais, mantendo expectativa de maior atividade no mercado de capitais neste ano. A combinação de juros mais baixos e demanda por ativos locais sustenta o otimismo.
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