Desde o fim de janeiro, o preço de metais preciosos apresentou variações expressivas, com o ouro beirando os US$ 5 mil e a prata acima dos US$ 100. O movimento é atribuído a mudanças na política da Fed, tensões geopolíticas e busca por investimentos mais seguros, segundo especialistas.
Na prática, a alta gera impactos também no setor de joalherias independentes no Brasil. A Forbes ouviu Paola Vilas, Julio Okubo e Daslan para entender as estratégias adotadas diante dessa volatilidade.
Reserva de material e estratégias de estoque
A volatilidade dos metais preciosos é comum no setor, mas a intensidade recente preocupa marcas menores. A Julio Okubo mantém fluxo de matéria-prima com previsibilidade para evitar decisões reativas, conforme o executivo Mauricio Okubo. Paola Vilas, fundadora da marca, aponta que ter reserva oferece estabilidade criativa.
Já a Daslan investe em compras estratégicas de ouro em momentos de baixa. A empresa também ampliou ações de reciclagem e incentiva clientes a trocar peças usadas por crédito, gerando retorno de metal para a marca e benefício ao consumidor.
Mudanças no mix de produtos
Com o cenário de valorização, outras peças ganham espaço nas coleções. Há maior atenção à redução de dólar e ao potencial das gemas, especialmente o diamante. O mercado observa menor demanda por joias apenas em metal, mas demanda crescente por peças com pedras valorizadas.
Paola Vilas destaca que, além do material, o design autoral e o processo artesanal ganham relevância, reforçando o valor de peças ativas no tempo. No Brasil, o setor busca manter exclusividade sem comprometer qualidade diante da alta do ouro.
Impactos no consumidor e nas margens
Economistas indicam que margens devem sofrer ajustes no curto prazo, com mudanças no mix de produtos e repasses parciais de preços. As marcas ponderam critérios de sustentabilidade e relação com o cliente ao considerar alterações de valor.
No longo prazo, especialistas estimam que o mercado possa se aproximar de um ponto de equilíbrio entre US$ 4,5 mil e US$ 5 mil. Esse patamar depende de fatores geopolíticos e da demanda por ouro como reserva de valor.
Visão de mercado e perspectivas
Analistas ressaltam que o ouro segue como ativo de reserva, principalmente diante do cenário de sanções e volatilidade geopolítica. A tendência é de continuidade da volatilidade, com possibilidade de novas oscilações caso haja mudanças internacionais relevantes.
As marcas brasileiras, por sua vez, afirmam que a diversificação de materiais e a ênfase em design exclusivo ajudam a manter a competitividade. A estratégia inclui manter estoque planejado, reciclagem de metais e valorização de processos artesanais.
Entre na conversa da comunidade