A fusão entre Massari Fértil e Morro Verde resultou na formação de uma nova companhia de fertilizantes, que ainda aguarda o nome definitivo. O fundador Sérgio Ailton Saurin, CEO do grupo, traça planos de dobrar o faturamento concomitantemente ao equilíbrio entre produção mineral e biologia do solo.
A operação, concluída há dois meses, envolve a Massari, com mina de calcário em Salto de Pirapora (SP), e a Morro Verde, produtora de fosfato em Pratápolis (MG). A nova estrutura mira um crescimento de até 3 anos para chegar a 1 bilhão de reais em receita.
Saurin afirma que o objetivo não é apenas ampliar números: a empresa busca ampliar presença em território nacional e reduzir dependência de importados no setor de fertilizantes. A projeção prevê ampliar market share para 2,5% a 3% com o crescimento.
Geograficamente, a expansão já começou antes da fusão. Hoje a Massari atua em São Paulo, MS, TO, com plantas em Formoso do Araguaia e Bodoquena. Novas plantas devem surgir no Mato Grosso, Goiás e Paraná, além de Minas Gerais pela Morro Verde.
O modelo da empresa não se resume à distribuição; trata-se de oferecer “soluções agronômicas” que combinam minerais com biologia do solo. O portfólio soma mais de 500 produtos registrados no MAPA, com foco em análises de solo.
A Morro Verde traz fosfato natural reativo, conhecido como linha FNR. A Massari combina calcário dolomítico com enxofre, na linha DGMS. A integração dessas linhas forma o eixo central da oferta da nova empresa.
A estratégia é reduzir a dependência de importados, que hoje atende cerca de 40 milhões de toneladas anuais no Brasil, com 80% a 90% vindos do exterior. A empresa pretende empregar minerais nacionais, aliados à biologia do solo, para melhorar a eficiência.
O modelo envolve pesquisas em solos tropicais, com parcerias com universidades. A Massari investe em desenvolvimento de produtos que integrem biológicos aos fertilizantes minerais, sem abrir mão da mineração. A governança passa a ter estrutura próxima a empresa de capital aberto.
A Ore Investments, controladora da Morro Verde, segue como acionista relevante. O crescimento depende de captação externa para financiar a expansão, segundo o novo COO, Jorge Fernandes. A direção planeja atuar também fora do Brasil, em mercados com solos tropicais.
No horizonte, surgem possibilidades de exportação de tecnologia agronômica para Paraguai, Bolívia, África e Indonésia, sem transformar a companhia em exportadora tradicional. A proposta é levar a solução agronômica a produtores de regiões tropicais globais.
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