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Opinião: como tornar o capitalismo acessível a todos

Conta de investimentos para jovens nos EUA, gerida por privadas, pode transformar educação financeira e levantar debate sobre previdência

OPINIÃO. Capitalismo para todos
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Uma proposta associada ao pacote “Big Beautiful Bill” do governo dos EUA ganhou projeção como a chamada Conta Trump. A ideia prevê uma conta de investimentos individual para jovens, com aporte inicial financiado pelo Tesouro e gestão privada, sem intervenção governamental.

A origem remete a 2019, quando Brad Gerstner, investidor de tecnologia, sugeriu abrir para cada jovem americano uma conta com US$ 1 mil, investidos em ETFs que acompanham os principais índices. O projeto ganhou apoio inicial de nomes como Michael Dell, mas não avançou na época.

O conceito voltou a ganhar tração após ser incorporado ao programa defendido por Donald Trump. A proposta prevê que crianças nascidas entre 2025 e 2028 recebam US$ 1 mil de capital inicial, com possibilidade de aportes privados subsequentes. O dinheiro seria investido e só poderia ser sacado aos 18 anos.

Contribuições privadas podem complementar o aporte inicial, ampliando o capital disponível ao longo da vida. A ideia mira inserir jovens no sistema de investimento e aproximar a população dos benefícios do mercado de capitais, especialmente quem hoje não tem acesso.

Entre os apoiadores já aparecem investidores como Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, que doou recursos para o estado de residência, Connecticut. Outros empresários também teriam aumentado aportes por estado, elevando o total para valores entre US$ 1,2 mil e US$ 2 mil por jovem em alguns casos.

O debate nos EUA envolve ainda a possibilidade de o modelo privado de poupança influenciar o sistema público de Previdência. Economistas avaliam impactos potenciais na educação financeira e no consumo de longo prazo, com efeitos sobre o mercado de capitais.

A discussão suscita reflexões sobre o Brasil. Analistas destacam que o país tem baixa taxa de poupança e poderia explorar modelos de engajamento com o mercado privado, desde que adaptados à realidade brasileira. O tema pode ganhar relevância em eleições nacionais.

Especialistas destacam a necessidade de cautela na transferência de modelos internacionais, para evitar assimetrias e riscos financeiros. Em contexto de crise fiscal, é essencial avaliar custos, governança e mecanismos de proteção ao jovem investidor.

Diversos pontos ainda carecem de detalhamento regulatório e de implementação prática. A viabilidade de replicar o modelo no Brasil depende de políticas públicas, incentivos privados e educação financeira para a população.

Autoria: Felipe Miranda, economista, e Alexandre Bossi, sócio da Perfin, assinam a análise sobre o tema.

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