Representantes do agronegócio reagiram nesta segunda-feira (26) com desânimo à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O setor apoiava majoritariamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
Segundo integrantes do agro, a política fiscal do governo deve manter os juros altos, o que prejudica investimentos e dificulta o pagamento de dívidas.
“O que eu estou percebendo dos grupos do agro é um desânimo muito grande. Muita gente vai postergar investimentos”, disse à Reuters Marcos Fava Neves, sócio-fundador da Harven Agribusiness School.
Segundo ele, empresas do setor podem fechar ou pedir recuperação judicial em 2027. Nos últimos meses, o agronegócio já enfrenta uma onda de recuperações judiciais, principalmente no segmento de grãos, por causa de margens de lucro menores e dívidas maiores com a alta dos juros.
Juros e combustíveis
Para Neves, a vitória de Lula adia um cenário de redução dos juros, controle da inflação e equilíbrio das contas públicas. Além disso, segundo ele, a alta do dólar encarece a importação de diesel, fertilizantes e pesticidas, que o setor compra em grande quantidade. Nesta segunda, o dólar subiu mais de 10%, e o Ibovespa chegou a cair mais de 17% no pior momento do dia, segundo a Reuters.
Integrantes do setor também criticam o controle do preço dos combustíveis. Segundo eles, ao subsidiar a gasolina e o diesel, o governo limita os preços do etanol, que poderia ganhar mais com a alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
“O controle de preço e subvenções têm mascarado a competitividade do etanol”, afirmou Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.
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Escala 6×1 e reforma tributária
O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Ferreira Campos Filho, criticou a aprovação do fim da escala 6×1, que ocorreu durante a campanha do segundo turno.
“Vamos ter de discutir muito essa medida tomada no segundo turno, isso é um crime que aconteceu, principalmente contra o setor de cana-de-açúcar, sem discussão, sem debate”, disse.
Segundo ele, o setor emprega 700 mil trabalhadores diretos. O executivo também cobrou definições sobre a reforma tributária, cuja alíquota, segundo ele, ainda não foi definida.
Já o presidente da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), Roberto Cestari, disse que o setor vai precisar se organizar para pressionar o governo.
“Infelizmente, vamos ter que estar em um trabalho de alto nível dentro da cadeia empresarial para poder fazer pressão no poder público”, afirmou.
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Resiliência
Por outro lado, o deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirmou que o setor é resiliente e capaz de superar “dificuldades e frustração”.
“O Brasil é muito maior do que qualquer momento político”, declarou. Para os representantes do agro, a força da bancada ruralista no Congresso pode servir de contrapeso ao governo.
Na mesma linha, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi, afirmou que o setor já passou por governos de diferentes orientações políticas. Segundo ele, a indústria deve se beneficiar nos próximos anos do aumento da demanda por etanol no transporte marítimo. No governo Lula, o setor também foi beneficiado pelo aumento da mistura de etanol na gasolina, de 27% para 32%.
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