A mentoria entre mulheres do agronegócio ganhou um formato piloto dentro do Forbes Mulher Agro (FMA), grupo com cerca de 50 empresárias. O projeto conecta mentoras e mentoradas de estados diferentes por videoconferência, ao longo de oito sessões, para desenvolver liderança executiva. A iniciativa nasceu do próprio grupo, motivada por lacunas percebidas.
Nina Plöger, presidente do FMA, afirma que o movimento surgiu do incômodo com a distância entre capacidades técnicas e o desenvolvimento de liderança. O objetivo é criar um caminho estruturado, em que a mentora não toma decisões pela mentorada, mas ajuda a mapear competências e metas profissionais.
O piloto foi estruturado com base em uma metodologia herdada do Conselho Feminino da Fiesp, adaptada para o agro. Cada sessão traz objetivos, testes de perfil de liderança e ferramentas de autoavaliação, com foco em autoconhecimento antes de traçar estratégias. A relação entre pares é destacada como essencial.
Agência e alcance do piloto
A operação começou após a identificação de mentoras e mentoradas em estados como Pará e Mato Grosso do Sul, com entrevistas e seleção criteriosa para garantir afinidade de contexto. O programa teve oito encontros com intervalos de cerca de dez dias, ao longo de três meses.
A primeira sessão define metas de curto e longo prazo, que são revisitadas a cada encontro. Um exemplo citado envolve uma mentora de Não-Me-Toque, RS, que aplica formação em arquitetura na gestão da infraestrutura da fazenda. O processo enfatiza perguntas diretas sobre faturamento e planejamento futuro.
Pesquisas associadas ao tema indicam barreiras estruturais para mulheres em cargos altos. Dados de 2025 mostram baixa representatividade feminina em CEOs do agronegócio, embora o setor tenha avançado nos últimos anos. O FMA sustenta que a mentoria pode mitigar impactos de distância geográfica e invisibilidade em municípios remotos.
Avanços e próximos passos do FMA
Ao final do piloto, o interesse entre as participantes aumentou. Mentoradas que concluíram o processo manifestaram disponibilidade para atuar como mentoras. Nina observa que as lideranças femininas do setor possuem conteúdo relevante que ainda não é amplamente divulgado.
O próximo passo é formar um núcleo operacional dentro do FMA para gerenciar mentoras, mentoradas e os matches. A proposta envolve criar uma estrutura que facilite a continuidade do programa e amplie o alcance além dos estados já conectados.
Para Nina, a mentoria representa uma forma prática de romper o isolamento geográfico do agro brasileiro, conectando lideranças de diferentes regiões. A ideia é promover redes de apoio que fortaleçam a participação feminina em cargos estratégicos, por meio de um método estruturado e replicável.
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