Arnaud Boué, produtor de vinho conhecido por tornar a Bourgogne mais acessível, aposta em terroirs antes desvalorizados para renovar o mercado local diante da inflação. O objetivo é manter preços justos sem abrir mão da qualidade.
Formado em Montpellier, Boué já atuou na África do Sul e na Nova Zelândia. Inicialmente trabalhou como négociant vinificateur, transformando uvas em vinho sem deter terras próprias. Essa experiência moldou sua visão de produção.
Em 2018, fundou a Maison Boué nos Hautes-Côtes de Nuits, buscando parcerias com viticultores instalados nos melhores terroirs, incluindo Nuits-Saint-Georges e Côte de Beaune. Em 2022, financiou parte de suas vinhas via crowdfunding.
Hautes-Côtes como aposta
As vinhas próprias chegam a oito hectares, explorando altitudes até 500 metros. A área, antes vista como secundária, é encarada como reserva estratégica para qualidade e sustentabilidade. O custo das garrafas busca permanecer compatível com o bolso do consumidor.
Boué utiliza técnicas quase biodinâmicas, com uso moderado de sulfitos e vinificação em inox ou betão. Além de vinhos de entrada de linha, ele também produz rótulos de prestígio a preços mais altos, mantendo a proposta de acessibilidade.
Essa estratégia envolve cépages alternativos como aligoté e gamay, ampliando a oferta sem sacrificar a tipicidade local. Boué também participa da associação Aligoteurs, que promove o aligoté, revalorizando uvas históricas.
A proposta de Boué visa reconquistar consumidores que se afastaram devido aos aumentos recentes. A ideia é manter a Bourgogne competitiva, com vinhos de qualidade acessíveis e uma narrativa de inovação responsável.
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