A Vale fechou um contrato de afretamento de 25 anos com a chinesa Shandong Shipping para construir os dois primeiros navios transoceânicos movidos a etanol. O acordo, confirmado pela companhia, prevê entrega a partir de 2029.
Os dois navios, do tipo Guaibamax de segunda geração, terão 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas de ferro. Serão equipados com velas rotativas, motores mais eficientes e dispositivos que reduzem o atrito, visando maior eficiência energética.
A operação faz parte da estratégia de descarbonização da frota da Vale. O diretor de navegação, Rodrigo Bermelho, ressaltou que o etanol é parte de um sistema logístico mais flexível para lidar com variações de mercado e regulações internacionais.
A Vale não divulgou o valor do contrato, citando confidencialidade, mas destacou que o acordo é significativo pelo prazo de 25 anos e pela possibilidade de contratação de mais embarcações. A companhia mantém hedges de combustível para mitigar variações de preço.
A empresa já investiu cerca de US$ 1,4 bilhão desde 2020 para reduzir emissões de escopos 1, 2 e 3 e mira reduzir em 15% as emissões de escopo 3 até 2035, com o transporte marítimo representando boa parte dessas emissões.
Cadeia de suprimentos e flexibilidade
Bermelho informou que os navios a etanol devem consumir cerca de 10 milhões de toneladas de etanol por viagem para a Ásia, principal destino do minério. Em geral, as Guaibamax realizam 3 a 4 viagens anuais para a região.
A Vale não firmou contratos de fornecimento de biocombustível, mas negocia sobretudo no Brasil. A empresa aponta produtores brasileiros como prioritários, mantendo postura de buscar condições de mercado competitivas.
Além do etanol, as embarcações poderão usar metanol e óleo pesado, com projeto de conversão para gás natural liquefeito (GNL) ou amônia. A frota atual da Vale inclui cerca de 50 navios Guaibamax, com planos de acrescentar 10 bicombustíveis em 2027-2029.
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