O setor de luxo enfrenta novos obstáculos após ataques no Oriente Médio, que reduziram a confiança do consumidor e frearam as vendas. O início de 2026 parecia promissor, com lançamentos de alto impacto e maior gasto de consumidores, sobretudo nos EUA. O mercado europeu, porém, passou a sentir o recuo.
As ações de LVMH e Kering tiveram desempenho abaixo dos índices, refletindo a fraqueza na demanda. As companhias devem divulgar os resultados do 1º trimestre na próxima semana, com sinais de desaceleração ligados à confiança do consumidor global.
O Oriente Médio representa cerca de 5% do mercado de luxo, segundo analistas do HSBC, mas mudanças no cenário geopolítico continuam a impactar o humor dos investidores. A alta do petróleo aumenta temores de inflação e de cortes no consumo.
Perspectivas e indicadores
A recuperação de 2025, com estabilização de avaliações após o verão, não garantiu continuidade. Analistas revisaram estimativas: HSBC reduziu previsão de crescimento de vendas de 7% para 5,9% neste ano.
A China mostra sinais de recuperação de demanda no varejo de luxo, com otimismo de executivos que retornaram de visitas ao país. Nos EUA, gasto com cartões de crédito em artigos de luxo cresceu 7,2% em março em relação a 2025, segundo Citigroup.
Novos designers em Chanel e Dior ajudam a renovar o interesse dos consumidores. Também houve lançamento de itens mais acessíveis, como bolsas menores e bijuterias, que têm atraído parte do público.
Mesmo com o cessar-fogo temporário no Golfo, a volatilidade permanece. Caso haja continuidade de paz, ainda é incerta a extensão do impulso para as ações de luxo, dada a sensibilidade a variações de preço do petróleo e ao desempenho macro.
As perspectivas para o setor continuam dependentes da confiança do consumidor, da atividade econômica global e da estabilidade geopolítica. Investidores com visão de longo prazo avaliam oportunidades em meio à volatilidade.
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