O mercado brasileiro de etanol vive um momento de expansão, impulsionado pela demanda de clientes tradicionais e por novas oportunidades no cenário global. Especialistas veem o biocombustível ganhando relevância na matriz energética nos próximos anos, apesar de desafios logísticos e de comunicação com o consumidor.
Durante a 3ª Conferência Internacional Unem Datagro sobre etanol de milho, Plínio Nastari, presidente da Datagro, apresentou projeções de consumo de combustíveis do ciclo Otto. Em 2025, a gasolina equivalente deve crescer 1,9 bilhão de litros; em 2026, pelo menos mais 1,6 bilhão de litros, elevando o consumo de etanol hidratado. O crescimento anual pode ficar entre 2,5 e 3 bilhões de litros nos próximos dez anos.
Participação do etanol na matriz energética
Em 2025 o etanol substituiu 45,6% da gasolina no Brasil, com Mato Grosso, São Paulo e Goiás liderando o índice. Minas Gerais e Rio de Janeiro também apresentam desempenho relevante, enquanto Bahia e Maranhão apresentam participação menor, próxima de 30%, com potencial de expansão.
A produção de açúcar permanece estável, perto de 43 milhões de toneladas ao longo dos últimos anos, enquanto o etanol avança 33% em cinco anos. A produção total pode chegar a 41,6 bilhões de litros na safra 2026/27, com o etanol de milho respondendo por mais de 12 bilhões de litros.
Perspectivas de demanda e novas frentes
O etanol de milho já é peça-chave, ajudando a compensar a estabilidade da cana. Além do mercado interno, cresce a demanda internacional, aliada à expansão de misturas de etanol na gasolina global e a investimentos em logística.
Gustavo Mariano, da Inpasa, aponta três pilares para a expansão: maior mistura de etanol anidro na gasolina, com impactos relevantes se subir de 30% para 32% ou 35%; ampliação da distribuição, especialmente no Nordeste; e o aumento do uso de etanol no setor marítimo, com potencial de até 32 bilhões de litros até 2040.
Desafios e oportunidades
Entre os entraves, está a falta de informação do consumidor: cerca de 60% dos proprietários de veículos flex não sabem aproveitar o etanol de forma vantajosa. A logística de levar o combustível das regiões produtoras aos grandes centros exige investimentos em infraestrutura.
Políticas públicas como RenovaBio e iniciativas ligadas ao mercado de carbono, especialmente no etanol de milho e no carbono no solo, aparecem como oportunidades para fortalecer a competitividade do etanol brasileiro.
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