A Faria Lima amplia o foco e mira polos agrícolas para atrair produtores a novos investimentos. Gestoras como XP, BTG Pactual e Itaú Unibanco intensificam presença em Goiás, Mato Grosso e Tocantins, oferecendo soluções financeiras que complementam a expansão do agronegócio. A estratégia visa capturar recursos geridos por grandes produtores de soja, milho e gado.
A movimentação ocorre em um contexto em que o agronegócio brasileiro representa cerca de 25% da economia e supera R$ 1 trilhão em valor agregado anual. Escritórios rurais locais passam a receber equipes de bancos de cidades grandes para facilitar o acesso a produtos de gestão de caixa, investimentos e planejamento patrimonial.
Ao longo de 2023 e 2024, equipes de investimento reduziram a distância entre as capitais e o interior, buscando estreitar relações com produtores. A ideia é oferecer instrumentos de curto prazo, estruturas de holding e soluções de gestão de patrimônio, com foco na liquidez e na sucessão familiar.
Entre os agentes do movimento estão gestores que já atuam diretamente com clientes em fazendas, usinas e áreas de pecuária. O objetivo é acompanhar o ciclo financeiro do campo, desde o fluxo de caixa após as safras até operações de hedge para volatilidade de preços.
Dados do setor indicam que a agropecuária brasileira responde por grande parte do PIB regional, com movimentos de expansão de terra e investimentos em infraestrutura. Em paralelo, produtores enfrentam restrições de crédito, juros elevados e pressão de custos, o que aumenta a necessidade de planejamento financeiro.
Parcerias com escritórios locais são vistas como meio de entender demandas específicas de cada região. Executivos destacam que a linguagem do campo, os indicadores locais e a relação de confiança são fatores determinantes para adoção de produtos financeiros mais sofisticados.
Nova geração de produtores tem sido apontada como chave para a continuidade desses relacionamentos. Profissionais de wealth management destacam que estratégias de governança, estruturas de sucessão e liquidez passam a ganhar relevância no planejamento de longo prazo.
A agenda de contato com clientes envolve visitas a propriedades, participação em leilões e eventos locais, além de iniciativas de educação financeira voltadas a produtores. A linha de atuação busca converter operações de curto prazo em oportunidades de gestão patrimonial e hedge de risco.
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