O Conselho Interprofissional do Cognac anunciou um plano de arrachage temporário, mas de grande envergadura, para impulionar rendimentos. A medida é resposta às pressões externas, como aumento de direitos de importação dos EUA e surtaxas chinesas. O objetivo é revitalizar a produção diante das quedas de venda desde 2021.
O programa prevê apoio financeiro de 4.500 euros por hectare removido, com 3.000 euros na primeira ano e o restante após cinco anos. O viticultor poderá replantar sob a denominação cognac ou receber uma bonificação de 1.500 euros por hectare se o arrachage for definitivo. O BNIC detalhou as condições.
Escopo e metas
A meta é eliminar entre 12.000 e 13.000 hectares ao longo de vários anos, o que representa cerca de 15% da superfície da appelation. O anúncio ocorre apesar de um plano nacional de arrachage definitivo, cofinanciado pelo Estado, ter gerado menor adesão no setor.
As vendas do cognac, quase integralmente exportadas, caíram nos últimos cinco anos, com queda de 20% no volume no segundo semestre de 2025 ante 2024. Os fatores incluem tarifas dos EUA, surtaxas na China e redução do consumo de álcool.
Perdas, apoio e próximos passos
O setor solicita ajuda da União Europeia para financiar o plano, descrito como reparação aos danos causados pela disputa comercial entre UE e China. O BNIC estima 500 milhões de euros em prejuízos e reforçou a demanda de 30 a 40 milhões de euros, a ser discutida com Bruxelas na próxima semana. A entidade ressalta que, sem apoio, filières agrícolas francesas podem sofrer novas perdas diante de medidas diplomáticas.
Conforme dados da aduana, o cognac somou 2024 exportações de aproximadamente três bilhões de euros, com mais da metade direcionada aos EUA (36%) e China (20%).
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