O etanol de milho da safrinha produzido no Brasil avançou numa etapa regulatória da Organização Marítima Internacional (IMO), abrindo caminho para uso no transporte oceânico. A decisão foi tomada no comitê relevante da IMO, em Londres, e coloca o Brasil à frente de EUA e concorrentes em âmbito regulatório.
Segundo Flavio Mathuiy, capitão de mar e guerra que representa o Brasil no órgão, o etanol de milho da safrinha é o primeiro biocombustível compatível com o transporte marítimo a ter a pegada de carbono aprovada pela IMO. A agência não respondeu a pedidos de comentário durante feriado no Reino Unido.
A medida, ainda que auxiliar produtores e traders brasileiros, ocorre antes da entrada em vigor do marco global da IMO para emissões no setor. O marco foi aprovado em 2025 e a adoção formal está prevista para dezembro de 2026, após pressão dos EUA.
O objetivo é reduzir o uso de petróleo no transporte marítimo, com regras que devem incentivar combustíveis mais limpos. Em 2020, a IMO estimou que o setor responde por 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.
O comitê de Proteção do Meio Marinho da IMO aprovou um valor padrão de 20,8 g CO₂ equivalente por megajoule para o etanol brasileiro de milho de segunda safra. O padrão serve para medir eficiência energética e reduções de emissões.
O etanol de milho da safrinha é o primeiro a receber essa classificação na IMO. Outros biocombustíveis deverão passar pela mesma avaliação para o marco global, que estabelecerá penalidades e incentivos.
O milho da safrinha representa quase 80% da produção total da commodity neste ano, e o etanol de milho tem menor intensidade de carbono que o produzido nos EUA, por uso de biomassa na produção e pela possibilidade de duas safras.
Desde 2017, empresas brasileiras já produzem etanol de milho. Embora a cana-de-açúcar ainda responda pela maior parte, o milho já representa cerca de um quarto da produção total.
Mathuiy também sinalizou a busca por aprovação técnica da IMO para o etanol de cana-de-açúcar e para biodiesel feito a partir de soja e sebo bovino para uso no transporte marítimo.
Entretanto, o setor se prepara para reduzir ainda mais a pegada de carbono em viagens oceânicas. A Vale, maior produtora de minério de ferro, pediu no mês passado dois navios da classe Guaibamax movidos a etanol.
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