O governo pretende elevar temporariamente a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, em caráter emergencial. A medida será oficializada nesta quinta-feira (7) durante uma sessão do CNPE, órgão que reúne ministérios e órgãos federais.
Segundo avaliação interna do Ministério de Minas e Energia, a mudança pode reduzir a importação de gasolina em 454 milhões de litros em 180 dias de vigência. O efeito financeiro seria de aproximadamente US$ 340 milhões na dependência externa, ou cerca de R$ 1,8 bilhão, considerando a paridade de importação.
A elevação da proporção de etanol busca diminuir a participação da gasolina importada, hoje em média 15% do consumo brasileiro. O Brasil já utiliza etanol na mistura, mas o aumento acelera a utilização de biocombustível produzido internamente.
A iniciativa ocorre em meio a pressões internacionais sobre o petróleo, com a ANP estimando alta de 61% no custo de importação desde o início do conflito. A paridade de importação passou de R$ 2,45 para R$ 3,95 por litro.
Paralelamente, o governo avalia impactos no preço ao consumidor, já que o etanol costuma ter custo menor. Estudo aponta possível redução de preços nos postos e efeito indireto na inflação, com ganhos para a economia.
Em testes, veículos leves e motocicletas foram avaliados com misturas de até 32% de etanol, sem impactos relevantes no desempenho ou dirigibilidade. A frota atual é considerada apta a operar com o novo percentual.
Perspectivas de produção e próximos passos
A produção de etanol no país tem capacidade para atender o cenário, com previsão de safra 2026/2027 apontando aumento de 600 milhões de litros. Há ainda estudos para avançar para 35% de etanol (E35) a partir de 2027.
O discurso oficial também sinaliza continuidade de ações para mitigar efeitos da guerra no Irã sobre o petróleo. O presidente Lula indicou planos de ampliar a participação de biocombustíveis na matriz, sem detalhar prazos adicionais.
Fontes próximas ao governo confirmam que a revisão da mistura faz parte de um conjunto de medidas para reduzir a dependência de importações e buscar estabilidade de abastecimento. O tema continua em avaliação para futuras ações.
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