Francisco Lopes, criador do Copom e figura central da matemática macroeconômica brasileira, morreu aos 80 anos. Ele teve uma parada cardíaca em 22 de abril durante cirurgia para corrigir uma úlcera e veio a falecer no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro.
O economista ficou conhecido por ter transcendental importância no desenvolvimento da inflação inercial, fruto de pesquisas da PUC-Rio. Integrantes do grupo que ajudaram a moldar o Plano Real o descrevem como pioneiro na leitura da macroeconomia com visão de longo prazo.
Lopes atuou como interino na presidência do Banco Central em janeiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ficou no cargo por 19 dias, após o fracasso da banda cambial endógena, tentativa de transição suave do câmbio fixo para o flutuante.
Nascido em Belo Horizonte, filho de Lucas Lopes, ex-ministro da Fazenda de Juscelino Kubitschek, ele fez doutorado em Harvard e construiu a base de sua atuação na PUC-Rio e no Ipea. Participou do grupo que buscou levar a ideia de estabilidade a partir de modelos macroeconômicos.
Entre suas contribuições está a criação do Copom, em 1996, com a ideia de ancorar expectativas pela definição de metas de inflação. Introduziu, ainda, no Brasil o sistema de duas taxas, lombardas, que serviam de piso e teto para a política de juros.
Ao longo da carreira, Lopes atuou nos planos de estabilização que marcaram o período, desde o Cruzado até o Real, mantendo posição de oposição a regimes cambiais mais restritivos e defendendo ajustes estruturais.
Legado
O legado técnico de Lopes é lembrado por colegas e ex-ocupantes de cargos públicos. Persio Arida e Gustavo Franco destacaram, em entrevistas, a importância de sua ousadia intelectual e da integração entre teoria e prática na política monetária.
Em memória, tributos ressaltam a influência de Lopes na formação de economistas de várias gerações. Seu estilo conciliava rigor teórico, visão crítica e abertura a reformas que moldaram a política econômica brasileira nas últimas décadas.
Lopes deixa a esposa Ciça Pugliese, a filha Estefânia e os enteados Bruno e Sérgio Pugliese, além de netos. O falecimento já mobilizou leitores e especialistas, que destacam a contribuição dele para a estabilidade econômica do Brasil.
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